Tem que ser amigo intimo
Pelo menos é que eu entendo o que tem ser um pai
Mas comigo não acontece nada disso
O meu pai me chama de otário
Só porque essa cidade de otários me chama
Somente porque eu não tomo cerveja
E porque eu não quero fazer letras na faculdade imaculada de
Moji Mirim
Eu não sei se tem alguma coerência
Mas em todos os casos
Fuça assim
O meu pai não razão para mim e da razão paras sociedade
preconceituosa
O meu pai para mim só funciona como pai biológico
O pai que eu tenho para que
Se eu não tivesse eu não saberia
Um pai que só quer prejudicar o filho
Isso acontece somente comigo
Ele deveria ter morrido quando eu nasci
Eu não tenho culpa da culpa do médico que vez o meu parto
que deu o ataque epilético
Ele tem que me entender
Levar-me ao médico neurologista
Pesquisar nos livros e perguntar ao médico
Um pai tem ajudar o naquilo que ele poder
Que pai eu tenho
Um pai que nunca existiu
Luís Antonio Padovani
Escrito na página 25/8/1987
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