I
Eu não tenho família
É uma triste constatação
É a mais pura realidade
II
Família o que é isso?
Para que serve?
Qual é a sua função?
A minha não tem função nenhuma?
III
Família que deveria ser o primeiro núcleo social
O inicio de tudo
Que deveria ser
Eu falei corretamente
Porque não é
IV
Família que deveria ser pau para todas as
obras, falhou.
Quando de fato eu precisei....
Cadê família
Sorveteu
Derreteu
Desapareceu
Tudo que pensava era no dinheiro
No meu bem-estar nada
V
Casa comida, roupa lavada.
É tudo que eu tive
VI
Quando eu tive fratura exposta no meu
tornozelo esquerdo
Eu mudei o meu modo de vida
Nada, nada, nada.
Que nem peixe nada.
A minha família somente pensava porque eu
não ia trabalha na escola
Eu pergunto trabalhar de que jeito
Jeito nenhum foi dado
Tudo que eu ganhava era desprezo
VII
Derli falava para que esperasse a Renata
A Renata sentada na cadeira com o seu prato
cheio na mesa nem na minha cara olhava
Sempre dizia que eu não tinha nada
Mesmo com todo o seu conhecimento
Trabalhava em um hospital
Conhecia todos os médicos
VIII
Quando eu falava
“Em minha casa tem um brasão”.
Dentre todos o mais nobre
Receber sem distinção
Tanto o rico como o pobre”
Um verso português
Bonito com certeza
Lido eu um prato na chácara “Cantinho do
Nono”
Pendurado na sala de estar
Onde tinha um relógio de corda enorme de
badalo de parede de dar corda
A mesa e as cadeiras em um total de seis
Uma em cada extremidades e duas em cada lado
A cidade Pirajuí
A Renata respondia
“É triste sonhar como amor e acordar
sozinho”
Quando as minhas necessidades apareciam
A minha família desaparecia
IX
Quando as minhas necessidades apreciam
Eu podia contar que eu não contava com
ninguém
Tachado de mentiroso eu era
Por mais evidente que era
Nada era feito
Derli respondia que não ia fazer nada por
mim
Tudo que pensava era na escola
Tudo que perguntava era porque eu não ia à
escola?
Derli me respondia não vou te ajudar
Em uma família de Busca-pé a família não
existe
Família é um monte de gente nada mais que
isso
X
Quando liguei para a Dora, ela não me ouviu.
E disse dez anos mais tarde “o que eu tinha”
Rodeado de bajuladores a minha vida foi
somente sofrimento
Tudo que desejavam me ensinar era adulação
E para isso eu não sirvo
Eu sei trabalhar
Agradar chefia somente com trabalho
Em uma cidade que tem cabeça de ameba
Que não tem cabeça e faz mal para os outros
Eu não sei se é vírus ou bactéria
Mas o meu santo não bate com o santo dos
mojimirianos
XI
Eu não comungo com as mesmas ideias dos
mojimirianos
Eu não sei como a minha família não vê
Os mojimirianos só querem fazer mal para mim
Eu não entendo isso
Eu não sei por que somente eu vejo isso
XII
Dinheiro é tudo o que pensam
Eu nunca fui respeitado
De tanto despeito que eles têm
Respeito diz respeito ao peito.
O invejoso mata o invejado
Tudo que o invejoso quer é ser igual ao
invejado
Como ele não consegue
Resolve matar o seu o oponente
E tudo que resta é opor.
Luís Antonio Padovani
23/08/2013