Eu dezesseis anos
Por dez eu vivi intensamente
Na minha Pirajuí
Na chácara de meu avô
Eu tinha tudo
Tênis de mesa o dia inteiro com os meus parentes
Em, uma mesa improvisada.
Eu visava somente à felicidade de estar em família
Não via a hora passar
Quando não jogava tênis de mesa em casa do meu avô eu jogava
com os meninos no Parque clube Pirajuí longo jogos
Sempre organizados pelos próprios meninos
Quem perdia saia do jogo para dar vez a quem estava primeiro
na fila
Tudo era organizado ninguém empurrava ninguém
Todos esperavam pacientemente a sua vez
Sem nenhum adulto por perto
Aos olhares do dono bar
Quando não andava de bicicleta fora da chácara, mas em sua
redondeza nas terras do meu tio José Eduardo.
E em outras brincadeiras que reuniam os vizinhos da chácara
em um campo em uma mina de água ou no campo da Noroeste do Brasil jogava
futebol a manhã ou a tarde inteira tudo no respeito
Dentro da chácara eu andava de carrinho de rolimã em canto
de parede de uma edícula
O dezesseis anos que eu estou em Moji Mirim eu arrumei
uma briga no primeiro dia de aula na escola Oscar Rodrigues Alves, pois muitos
meninos me colocaram em uma roda e me bateram porque eu sou um ex aluno da APAE
Começaram a me ignorar
Jogar bola nada
Andar de bicicleta nada
Nada de viver
Os prazeres deram lugar a dissabores
O que era alegria virou tristeza
Os dezesseis anos em Moji Mirim são lixos
Quantos eu tenho
Eu tenho dez anos vividos em Pirajuí
E os dezesseis restantes que eu não vivi porque em Moji Mirim mora o
preconceito
Luis Antonio Padovani
Escrito na página 9/7/1987
Nenhum comentário:
Postar um comentário