sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Sem luta

Tudo é feito para ele
Ele é o destaque das rodas
Ele é o insuperável
Ele é o maior
Ele é resistente a todas as épocas
Ele sobrevive ao tempo
Ele não tem era
Ele não tem barreiras
Ele é a renovação
Ele é a existência de nossa existência
Ele é a permanência da espécie no mundo
Ele não é obrigatório
Ele faz parte da vida
Ele não se entrega
Quem se entrega a ele somos nós
Ele é o sexo que parece ser um assunto proibido, mas é a certeza de que haverá vida.

Luis Antonio Padovani
05/08/1988

Qual é a melhor maneira de se viver


Existe o concreto
Existe o abstrato
O concreto é aquilo que acontece
O abstrato é a ilusão
O concreto é tudo verdade
O abstrato é um sonho
É a fantasia
É o modo gostoso de se viver
O concreto machuca porque é real
O abstrato não machuca porque é irreal
É a imaginação da gente
E entre o concreto e o abstrato eu prefiro o concreto
Porque é dele que eu vou viver.

Luís Antonio Padovani
5/8/1988

Insuportável

A inflação sobe como um balão
Cai no bolso do brasileiro
Sem ninguém para dirigi-la
Descontrolada ela está
E ninguém vai saber onde ela vai cair
Ou se ela irá subir mais
Ela está sem destino
Esvazia o bolso dos pobres que não tem como se defender
Deixa os ricos que tem aplicações para ganhara da inflação
CDBs, Rdbs são algumas das aplicações que fazem dos ricos perderem menos que os pobres.
Independente da velocidade dela
Ela é sentida mais para o assalariado.

Luís Antonio Padovani
5/8/1988

CDB significa Certificado de Depósito Bancário
RDB significa Rendimento de Depósito Bancário


Homem ideal

Beti você pensa que sou um homem guardado
Guardado dentro de uma casa a espera de você
A espera de uma Colombina
A espera de uma princesa
A espera de uma deusa
A espera de uma fada madrinha
A espera da Cinderela
A espera da velhice
A espera de algo que nunca vem
E ainda por cima vem dizer para mim que eu sou o homem da sua vida
Eu não sei por que você se julga traída
Nem namorados nós somos
Então como eu posso te trair
Você pensa que eu te namoro porque quando você se encontra comigo nas ruas você vem ao meu encontro e eu te dou atenção e passamos andar juntos
E quando eu saio da academia pra treinar na Avenida Brasil onde você mora você vem toda enamorada para o meu lado e eu dou corda para você
Eu não posso ser um homem educado?
Eu sou um homem livre
O namoro somente existe em sua mente e na mente do Guedes
Está certo que você deixou que eu entrasse em sua chácara
Mas isso não quer dizer que somos namorados.
Faz-me um favor
Faça com que eu entendo um assunto desses.

Luís Antonio Padovani
5/8/1988

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Catigo

Eu sendo o primeiro
Sinto-me o último
Porque não me deixam trabalhar
Porque os mojimirianos pensam que eu sou infradotado
Porque eu não tomo cerveja
É um motivo justo
Perfeitamente compreensível
Quem toma cerveja é inteligente
Quem não a toma é deficiente
Isto todos estão ciente
Porque tem tudo haver
Tomar cerveja com você
Para que eu me torne sociável
Veja como é
O tiro saiu pela culatra,

Luís Antonio Padovani
3/9/1988

Salvo de chateação

Ai que alívio
Até que enfim
Ela largou do meu pé
Quando eu saia de minha casa que é em frente a casa de sua avó  ela imaginava que eu queria algo com ela
Assim não dá eu poder sair de minha casa!
E não poso ir nem para a academia
Eu não aquento tanta chateação
Ainda bem que caiu a ficha dela
E agora ela está com outro
E que ela seja feliz
Em me sinto aliviado em pensar que ela me deixa em paz
Ai, ai Ana Claudia.

Luís Antonio Padovani
3030/09/1988

Coisas gastas

Sentimento
Para que ter sentimento
Sentimento é para otário
O sentimento faz os outros de bobo
Sentimento
Para que ter sentimento
Sentimento faz os outros sofrerem por nada
Sentimento
Para que ter sentimento
Sentimento
Para que ter sentimento
O sentimento será que ele existe?
Sentimento
Para que ter sentimento
Sentimento é para otário.

Luís Antonio Padovani
3/9/1988

Interesse próprio

Ninguém de Moji Mirim merece o meu voto
Eu sou eleitor
E todos estão atrás do meu voto
Mas ninguém o merece
Porque todos têm a cabeça menor do que um grão de areia
Porque ninguém quer me ajudar
Eu não sinto confiança em ninguém
Os que aqui falam em pé sustentam sentados
São todos iguais
Nenhum político mojimiriano merece o meu voto
Porque todos são falsos.

Luís Antonio Padovani
3/9/1988

Materialização

Namora de ficção
É um namoro sem nenhuma emoção
Sem nenhuma ação
Sem nenhum carinho
Sem nenhum abraço
É namoro igual ao cinema
É o namoro igual às novelas
É o namoro com beijos frios
É o namoro como beijos técnicos
Se eles existirem
Porque é um namoro de ficção
É uma mentira para satisfazer a sociedade
É uma brincadeira sem nenhum sentido
É o namoro da imaginação
É uma ilusão
Ilusão e nada mais.

Luís Antonio Padovani
3/9/1988
Este poema é o de número um mil e trezentos (1.300)


quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Coisas desse mundo

Todo mundo diz alguma coisa
Mas somente dizem
Fazer que fosse bom nada
Nada fazem
Bla, bla, bla
Eu estou cansado de bla, bla, bla
Todo mundo fala isso
Todo mundo fala aquilo
Todo mundo fala
Mas ninguém faz nada
Ficam somente na fala
É uma maneira prática de recriminar
É a maneira da hipocrisia
Pois somente falam
E porque não fazem ao invés de falar

Luis Antonio Padovani
15/09/1988

Cenas

I

Porque todas as mulheres são iguais?
Por quê?
Alguma mulher quer me responder
Porque eu preciso entender

II

Elas em nada modificam
Elas querem algum homem para ficar
Ficar para fazer filhos
Largar e receber pensão

III

De olhos elas ficam bem abertos para observar e depois amolar
De olho no que homem tem ou deixa de ter
Fazem as mesmas perguntas
As quais eu já estou farto
Se o homem não tem o que elas desejam elas nada decidem
Elas deixam o homem com falsas esperanças
Que vai terminar quando vê ela com outro.

IV

Em um mundo que o feminismo está em alta as mulheres ainda esperam que o homem tome a primeira atitude.

Luís Antonio Padovani
15/09/1988

Estampado no rosto

I

Não negues que me amas
Você não me engana
Eu conheço o mundo que me cerca
E eu sei tudo sobre você

II

Não adianta você negar
Porque você mente para você mesma
Para você e mais ninguém
E nada mais

III

Admita o seu amor por mim você ficará mais feliz e mais a vontade
Porque você ficará nos meus braços

Luís Antonio Padovani
15/09/1988

Marcas

I

Eu prefiro ficar solteiro a criar os meus filhos no preconceito
Porque no meu conceito preconceito não existe
O preconceito é um atraso
Do qual o mundo tem que se livrar

II

Eu prefiro ficar solteiro a criar os meus filhos na crendice
Porque quem disse que crendice da certo
Quem disse
É também um atraso

III

Eu prefiro ficar solteiro a criar os meus filhos com superstições
Porque as superstições são dispensáveis
O mundo vive melhor sem elas

IV

Eu prefiro ficar solteiro a beber bebida alcoólica
Não é por nada não
Mas eu prefiro preservar a minha saúde
E uma outra coisa
Não é uma bebida que vai provar que eu sou mais homem ou menos homem
Homem sempre eu serei com ou sem bebedeira
Ficar trebado para que?
Eu provo que eu sou homem é na cama

Luís Antonio Padovani
15/09/1988

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Tenebroso

Eu não quero ficar mais nenhum momento em Moji Mirim
O que já tinha que dar por aqui já deu
Eu não me interesso nenhum pouco para o que passa
O que eu quero mesmo é a estrada para ir a um outro mundo
Moji Mirim para mim não significada absolutamente nada
É uma cidade condenada
Condenada para sempre
Jamais eu irei a acreditar em mojimiriano
Eu quero apenas dar adeus
E dizer que Deus te ajude
Por que precisa muita ajuda
Moji Mirim me traz náuseas

Luís Antonio Padovani
14/11/1988

Brincando de amor

Viviane parece que você está disposta a brincar de amor
Você não me leva a serio
Eu digo que eu sou serio
Eu não conto piadas
Eu imagino que você quer se divertir comigo
Eu falo para você que você estava com o seu namorado no desabafo
E você diz que é a sua irmã gêmea
Para com isso
Eu sei que o Bugue é o seu namorado
E que eu não passo de um passa tempo
De um burguês que todos querem me iludir
Mas esse tipo de brincadeira não se faz
Você cria feridas que jamais serão cicatrizadas
Elas permanecem abertas por toda a minha vida
Por que o amor é serio
Eu exijo que isso pare
Fale logo o que pensa
Deixe me fazer a minha ginástica aeróbica e minha musculação sossegado
Não me deixa confuso
E deixe de me cozinhar em banho Maria
Esse sorriso que você me dá soa para mim falsidade
A sua conversa me dá cólera
Mude o seu modo de me tratar
Porque essa mudança definirá o nosso futuro
Que até agora está indefinido
Apesar de frequentarmos a mesma academia
De ter uma amizade agradável
Eu penso que você não quer nada comigo
Apenas você quer brincar com um burguês

Luís Antonio Padovani
14/11/1988

Muda junto

Mentiras
Ilusões
Fantasias
Parece que querem fazer alguém de idiota
Pois não convence ninguém
Os mojimirianos sempre foram mentirosos
E assim sempre será
Nunca aprenderam a dizer a verdade
Sempre dizem que o brasileiro vive de ilusões
Mas eu sou brasileiro e não vivo de ilusões, eu vivo de dinheiro.
Eles só fazem coisas feias
Muito feias
Eles pensam que eu sou otário
O mundo é diferente
O mundo mudou
E os mojimirianos não
Porque continuam a pregar as mesmas mentiras
Das quais somente os mojimirianos acreditam
É preciso mudar
Mudar de atitude
É preciso contar a verdade
Quem conta a verdade não merece castigo

Luís Antonio Padovani
14/11/1988

Coloque em outro lugar

Tira a mão daí
Não me toque
Não me reles
Não converse comigo
Ninguém gosta de você
Tira a mão de mim
Eu não quero namorar com você
Tira a mão daí
Somente o meu namorado põe a mão em mim
Se você continuar conversar comigo eu vou contar para ele
Ele vai te bater
Tira a mão de mim
Eu não sou uma mulher fácil
Tira a mão de mim
Eu sou uma mulher séria
Você é um louco
Você está muito atrevido
Tira a mão de mim
A sua mão me arrepia dos pés ao último fio de cabelo
Tira a mão de mim
Eu não quero nada com você
Faça os seus exercícios sem por as mãos em mim

Luis Antonio Padovani
14/11/1988
Uma situação imaginária com Viviane Cristiane de Oliveira quando fazia academia de ginástica aeróbica na academia Stética de Vandir Rondon

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Aparição

Políticos são poucos
Os verdadeiros políticos são aqueles que fazem política o ano inteiro
É difícil de encontrar um
O político que eu vejo é aquele que aparece para o eleitor na época de eleição
Porque interesse pelos assuntos da população que é bom não tem nenhum
O interesse é encher o bolso
Mas o político esquece que ele é um cidadão
E se houver qualquer melhoria para a população o próprio político terá a vida melhorada
Um político que aparece na época da eleição para mim não é político
A sociedade nem o nota
Não aparece na mídia
Não conversa com a população a não quando é eleição
Não tem proposta nenhuma porque só pensa em si
Não tem um passado que a população pode depositar confiança
A única coisa que sabe fazer é falar, falar e falar.
Falar proposta sem nexo
Que na verdade não são executáveis
Você é político somente na eleição
Porque você não tem algo a dar para a população
Quando eleito você pode decidir algo é o que tem a pensar
É exatamente nesta hora que você se torna importante
Para mim você não passa de um tolo
Porque você só candidato para completar a legenda
Para mim você é inoperante
Para mim você é descartável
Você tem que partir da sociedade que te ironiza

Luís Antonio Padovani
3/12/1988

Estou pensativo

Diz-se que é coitada ou coitada
E não se faz nada
Por quê?
Porque não se faz nada
Talvez seja por comodidade
Talvez porque não quer dizer aquilo que pensa
Portanto o diz seria falsidade
Qual é o motivo de se dizer coitada ou coitada e não fazer nada
Qual será a verdade
Que não diz e pensa
A verdade que é um oportunista e não diz aquilo que pensa
Qual é a sua verdade
O que você tem a perder em dizer-la
O que você ganha em não dizer-la
Porque você não quer se abrir e viver em seu mundo fechado?

Luís Antonio Padovani
3/12/1988

Coisas antologicas

Mojimirianos eu penso como voes são engraçados ao falar as coisas para mim
Falar até papagaio fala
Mas sabe por que fala
Porque fala porque foi ensinado
Vocês falam coisas sem nenhum embasamento
Vocês falam que eu sou isso
Vocês falam que eu sou aquilo
Mas nunca provou nada
Vocês dizem tantas coisas levianas
E quando olhar esta poesia neste papel
Vai olhar admirado
Admirar tudo o que está escrito
Ai que beleza
É texto de gênio
É muito bonita
Quem será que a fez
É uma bela poesia
E vocês vão continuar a falar de mim

Luís Antonio Padovani
3/12/1988

Sentir-se melhor

Desligou-se de mim
Não quer mais me ver
É isso mesmo que eu desejava
Uma decisão sua
Uma decisão que eu tanto sonhava
E depois dela muitas coisas ficaram melhores
Ninguém tem mais ilusão
E a impressão que tenho de você
É que você não queria nada comigo
Nada mesmo
Nada além de uma amolação
Nada além de uma brincadeira de mal gosta
Brincar com os sentimentos de alguém não é brincadeira que faça
Nada além de ter prestigio por ter um namorado
Nada além de se sentir estimulada
Um assunto pessoal

Luís Antonio Padovani
3/12/1988

domingo, 25 de novembro de 2012

Loucura, loucura

Quando adolescente eu imaginava ser um cidadão do mundo
E o google tornou isso possível
E a maravilha da tecnologia, da informática.
Sem mais essa
Sem mais aquela
Lá estou eu um cidadão do mundo
Desafia a lei da física
Ela diz que um corpo não pode estar a mais de um lugar ao mesmo tempo
Isso é realidade
Basta um apertão no botão que lá estou em vários lugares
É mundo da tecnologia
É um mundo onipresente.

Luís Antonio Padovani
26/11/2012

Biograria é um inicio de vida

 Luis Antonio Padovani, nasce em Moji Mirim  estado de São Paulo a 21 de junho de 1961, é técnico em contabilidade formado pela escola Técnica São José de Moji Mirim em 1983.


Publica oito livros

1o Antologia poética de Moji Mirim
Editora João Scortecci
São Paulo, São Paulo
Ano da publicação 1991

Máquina (poemas) 
editora João Scortecci
Ano da publicação 1993
Cidade São Paulo, São Paulo

Destino (romance)
Editora João Scortecci
Ano da publicação 1994
Cidade São Paulo, São Paulo

Q Dê Sete (poema)
Editora João Scortecci
Ano da publicação 1995
Cidade São Paulo, São Paulo

Nossa gente escrevendo
Antologia da Casa do Escritor de Moji Guaçu, São Paulo
Ano da publicação 1995
Editora Nosde
Cidade Mafra, Santa Catarina

Poema para Solange
Editora Nosde
Mafra, Santa Catarina
 Ano da publicação 1997

Onde mora o seu preconceito Livro de poemas
Editora Gráfica Azul
Ano da publicação 2012
Cidade Moji-Mirim S.P.


Dadove venneamo
Historia da imigração italiana em Itapira a convite de Odette Coppos
Ano da publicação 1997

Trabalho na Prefeitura de Moji Mirim

Estudo jornalismo na PUC Campinas


Passa as suas férias escolares em Pirajuí interior de São Paulo onde ficava à Chácara Cantinho do Nono de seus avós maternos e atualmente de sua tia Doracy Negrisoli irmã de sua mãe Derli Terizinha Negrisoli Padovani nascida em 12 de junho de 1933 em Piriajuí Estado de São Paulo professora aposentada do Estado de São Paulo e pai Henney Padovani nascido em 16 de outubro de 1928 em Cafelândia Estado de São Pualo e morreu em 30 de junho de 1989 em Moji Mirim comerciante de móveis, corretor de imoveís, rábula, perito judicial  fazia laudos para fazer novos bairros em Moji Mirim

Um recado

Bobo
Bobo é você que chama todo mundo de bobo
Porque você gosta de fazer isso com os outros, bobo?
Porque você pensa que outros são brinquedos
Porque você gosta de se divertir assim
Bobo, porque você chama os outros de bobo.
Bobo é você que intransigente
Bobo, o que você quer dizer?
Bobo você diz quando é para homens
E para elas você diz boba
Joga ela é uma lata de lixo
Porque na verdade você não se preocupa com o sentimento dos outros
Para você as pessoas são nada mais, nada menos umas diversões.
É só o que você sabe dizer
O bobo é para ter um alguém para se divertir
O bobo é apenas uma peça em suas mãos.

Luís Antonio Padovani
21/12/1988

Ocupação a mente

I

Fazer o que
Com o que fazer
Passar o tempo
Sem ver o tempo passar

II

Fazer o que
Com o que fazer
Para se sentir útil
Realizar algo na vida

III

Fazer o que
Com o que fazer
Para que fazer
Para que?

IV

Fazer o que
Com o que fazer
É uma pergunta que eu quero responder.

Luís Antonio Padovani
21/12/1988
Publicado no livro "Onde mora o seu preconceito"
Editora Gráfica Azul
Cidade Moji Mirim, São Paulo
Página 12
Ano da publicação 2012


Sem recompensa

Pirajuí o meu muito obrigado por tudo àquilo que você me fez
Deu-me amigos
Deu-me tudo que um ser humano pode desejar
O meu muito obrigado mesmo por tudo que me deste
Sem, no entanto pedir nada em troca.
Pirajuí eu lhe agradeço por tudo
Tudo aquilo que meu deu
Pirajuí
Você pode ser pequena
Mas a tua generosidade é grande
Tu és grande por dentro

Luís Antonio Padovani
21/12/1988

Sempre será assim

O realismo é naturalmente fatalista
O realismo é natural e fatal
O realismo é o trabalho
O realismo é o estudo
O realismo é o dia a dia
Natural
Que tudo corra com as pessoas que conhecemos
O nosso desabafo é natural
Impulsionado pela ira
A qual os outros oferecem a nós
E fatalmente ficamos contentes
Alegre e risonhos
E uma coisa fatal para acontecer
É fatal que um dia casaremos com alguém conhecido
É fatal que um dia teremos filhos
É fatal que eles irão crescer
É fatal que tudo que acontece com a gente aconteça com eles
Na maior realidade naturalista fatal que é
Que é o mundo de hoje.

Luís Antonio Padovani
21/12/1988

Capirichos

I

É somente por caprichos que você me cumprimenta
Por que eu sei que você não se incomoda nem um pouco comigo
Se assim fosse verdade me daria um emprego

II

Oi como vai
Tudo bem
Como vai o seu pai
Como vai a sua mãe
Como vai o seu irmão
Como vai a sua tia
Como vai o seu tio
Como vão os seus primos
Como vão as suas primas
Estão todos bem
Então adeus
Até mais
Porque você é um tonto.
Neste seu ato você parece mais ser um robô do que gente
Tudo é feito mecanicamente
Nada do que você fala você sente

21/12/1988

Vênus

Use camisinha
Use camisinha
Eu quero dançar com você
Use camisinha
Use camisinha meu amor
Que eu quero transar com você
Use camisinha
Use camisinha meu amor
Que eu quero viver com você
Use camisinha
Use camisinha meu amor
Que eu quero você outra vez
Use camisinha
Use camisinha meu amor
Eu quero terminar o carnaval com você
Preservar a nossa saúde vale muito
Porque eu quero você em outros carnavais
E além do mais, mais vale prevenir é melhor do que remediar.
Use camisinha meu amor.

Luís Antonio Padovani
21/12/1988

Tensão amorosa

Eu não sei o que acontece comigo
A Inês diz que é a minha namorada
No entanto, tal fato eu não sinto.
Para mim parece que é uma brincadeira
Uma verdadeira chateação
Totalmente desnecessária
Porque eu não compreendo essas coisas
A Inês é a minha primeira namorada
Eu nunca mexi com isso
E isso mexe comigo
Isso me pertuba
Até penso em convidá-la em almoçar em casa
Mas eu desisto da ideia porque eu tenho medo que ela pense em bobagens
Às vezes até falo isso para o pipoqueiro Camilo
Eu sou um sujeito cismado
E por lado eu não sei se quer ou não namorar comigo
Se não desejar então porque ficar comigo?
Eu estou totalmente inseguro com esse fato novo.

Luís Antonio Padovani
21/12/1988

sábado, 24 de novembro de 2012

Gesto pensado

O Brasil termina o ano muito mal
Este ano tem que ser esquecido
Ele não foi nada propicio
De inicio ao fim uma inflação o acometeu
Não o deixou em nenhum instante se quer
Foi à companheira mais fixa dele
Embora dela ele não goste.
Mas ela é persistente
Briga por aquilo que quer
Ela não incomoda com que o Brasil pensa
A vontade dela é soberana
Ela tem que reinar onde ela se encontra
Apesar de tudo isso o Brasil luta
Luta desesperadamente para se afastar dela
Pensa em pacotes, planos cruzados, Bresser e plano verão.
Este último o Brasil pensou em sonho
Será que vai dar certo
Tem que dar, certo.

Luís Antonio Padovani
04/02/1989

Pedido a papai

É natal
É natal
É tempo de Noel
O papai vai chegar
Ele vai entrar pela chaminé
Com o seu saco cheio de esperanças e presentes
Esperança para aqueles que não podem ganhar nada
E presentes para aqueles que podem
O velhinho bondoso não esquece de ninguém
Ele, portanto é portador de alegrias.
Partilha com todos os festejos do natal

Luis Antonio Padovani
04/02/1989

Incapacidade

Às vezes eu penso como existem pessoas tão idiotas a tal ponto de não notarem a minha insatisfação por Moji Mirim
Eu pergunto como pode ter gente assim
Eu não consigo ter explicações
E eu nem quero obter
Mas que existem, existem.
Aliás, eu vivo no meio delas.
E elas nem percebem isso
Como pode ser
Como pode acontecer
Isso vai ficar sem explicação porque eu não quero ficar louco.

Luís Antonio Padovani
04/02/1989

Retira-se

I

Eu não quero a sua presença
Eu não quero você perto de mim

II

Eu não quero você perto de mim
Não insista, por favor,
Eu te peço encarecidamente
Você só me aborrece

III

Eu não quero você perto de mim
Por favor, não insista.
Você perde o seu precioso tempo
Porque nada vai acontecer
Não insista
Saia de perto de mim
Você não me emociona

Luís Antonio Padovani
14/2/1989

Princípio

Para que mentir!!!
Não faz nenhum sentido
Diz logo a verdade
Para que dar ilusões?
Para que dar falsas esperanças?
Para que!!!
Eu não entendo para isso
Mentira!!!
Não leva a nada
Ou leva a desgraça
Então o que adianta mentir?
Qual é o valor da mentira?
Para onde ela leva?
Qual é a finalidade?
Para que vai servir?
O que adianta?
Eu quero uma explicação plausível.

Luís Antonio Padovani
14/2/1989


Vacada

Este poema é uma paródia

I

Vaca amarela
Pulou a janela
Entrou na panela
Três mexerem
Três comeram

II

Vaca amarela
Pulou a janela
Entrou na panela
E o azar só foi dela


III

Vaca amarela
Pulou a janela
Virou alimento para três indivíduos.

Luís Antonio Padovani
14/2/1989

Integração

I

Se alguém pensa que eu estou satisfeito
Este alguém está muito enganado
Pois nada do que eu vejo gosto
Eu aposto que longe daqui eu me sentiria feliz

II

Se alguém pensa que eu gosto desta gente
Este alguém está muito enganado
Pois nada do que eu vejo me agrada

III

Se alguém pensa que eu estou feliz
Este alguém está muito enganado
Porque tudo está errado
Moji Mirim vive do passado

IV

Se alguém pensa que eu estou feliz
Este alguém está muito enganado
Porque todo o meu empenho não foi reconhecido

Luís Antonio Padovani
14/02/1989

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Só um dia

I

Criança
Que dia é esse
Tem algum motivo para se comemorar
Então vejamos
Crianças têm
Mas será que são todas iguais
Pelo que eu sei não
Umas pobres
Umas médias
Umas ricas
Outras muito ricas
Os dias delas são iguais
Pelo que eu sei não
Os pais das crianças pobres têm trabalhar
Elas muitas vezes passam fome
Elas não têm oportunidade de ir à escola
A sua vida é ingrata
É uma luta eterna pela sobrevivência


II

Crianças
Os dias das crianças da classe média
Nasce sem passar fome
Logo vai à escola
E trabalha para ter o seu material
Logo mais se forma
Tem seu diploma
Vai trabalhar
Progride na vida

III

Crianças
Tem tudo na vida
Algumas são contentes
Com o que tem
Outras não
Mas sempre tem tudo
Oportunidades diversas
Brincam o dia inteiro
Não trabalham
E tem sempre dinheiro dado pelos pais

IV

Crianças muito ricas
Vão a vários continentes
Viajam de pais em pais
Algumas contentes outras não
Muitas delas vão para as drogas
Destroem-se
Outras trabalham com o pai
Recebem mesadas bem altas
Vão a grandes programas
Recebem sempre dividendos
Têm tudo em suas mãos
E logo entram no negócio do pai onde um dia vai chefiar
Cria fama
As famílias são sempre tumultuadas
Pois há amigas e a mulher legítima
E os filhos das duas
Há crianças por todos os continentes que passam fome
Crianças
Elas recebem um dia para ter atenção
Mas será que esse dia
Esse dia é merecedor de se comemorar
Com tanto que tem?

Luís Antonio Padovani
12/06/1990

Destino

I

Constantemente se é testado na sociedade
Constantemente sim
Quem não acredita está no seu direito
Porque o pensamento é livre
É de livre arbítrio
E cada um pensa do jeito que for
Ou por outro lado
Cada cabeça uma sentença
Cada par de olhos com um olhar

II

Constantemente se é testado na sociedade
Imagine você em uma festa
Oferecem isto, aquilo ou aquilo outro.
Não se pode comer porque está de regime
É um sufoco
Tem que se explicar
Se for diabético
Se vier qualquer produto doce
Tem que se explicar
Se não puder tomar bebida alcoólica
Por um motivo ou outro
Tem que se explicar


III

Constantemente se é testado na sociedade
Se tiver bastantes mulheres logo é deduzido é sapatão ou mulherengo
Se tiver bastantes homens logo é deduzido que é veado ou é prostituta ou é gilete.

IV

Constantemente se é testado na sociedade
Em qualquer lugar lhe pergunta
Estuda-se
O que você faz
Quem é o seu pai
Quem é a sua mãe
Porque não faz isso ao invés daquilo
Essas cobranças todas são feitas por todos
E constantemente por todos
Afinal ninguém gosta de passar por idiota.

Luis Antonio Padovani
10/08/1990

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Fascínio

I

Quando nasci
Todos falavam
Ai que gracinha
Le tem os olhos azuis
Que lindo olhos
São parecidos como o bisavô e avô
Ele é muito bonitinho
Criança forte
Bem tratada

II

Os anos passando
E eu fui crescendo
Vendo o mundo lá fora
Só jogava futebol
Andava para lá e para cá
Ia à casa só para comer e dormir
Era um rapaz feliz
E eu sabia
Aproveitei tudo que tinha direito

III

Novamente os anos passaram
Mudei para Moji Mirim
Desde o começo não gostei
Fui internado na APAE
Por conselho médico
Por causa de um foco
Matriculei-me posteriormente no segundo ano
Já que é de lei
Um ex aluno da APAE  ir para o segundo ano
Na escola freqüentei
Sempre me queixava
Não gostei do pessoal
Jogava bolinha de gude com um ou com outro
Entre não sei como
Num campeonato de futebol do Rodrigues Alves
Não fizemos feio
Mas não ganhamos
Briga lá arrumei

IV

Mais tarde fui ao Monsenhor Nora
Entrei na quinta série
Promovido que fui da quarta
Logo me estranharam
Começaram a fazer gracinhas
Diziam que fulana era apaixonada por mim
Jovem então afoito eu fui para descobrir.
De ponta eu fui
Machuquei-me
E daí em diante eu vi que o meu futuro não era aqui
E queria voltar para Pirajuí
Onde lá deixei os meus amigos
Eu queria amigos
E minha mãe sempre falava não
E me sentia deprimido e chorava
E ela me dizia se tal pessoa não meu amigo
Sempre fiquei em dúvidas
Porque nunca confiei

V

Os anos foram passando
E as mesmas coisas aconteciam
No colegial me matriculei no Pedro Ferreira Alves
Lá me zombaram
Castigaram-me
Fizeram de tudo
E sempre notei que meu lugar era em Pirajuí
De onde sempre passava minhas férias de estudante

VI

Um dia aprontei minha mala
Ameacei a sair
Chamei um táxi
Foi à gota
No ano seguinte fui a Pirajuí
Matriculei-me no curso Objetivo de Bauru
Era feliz
Mas durou pouco
Um ano
Um ano bom
Um ano feliz
Se eu pudesse voltar em mil novecentos e oitenta e três
Hoje seria feliz

VII

Voltei para cá em mil novecentos e oitenta e quatro
Minha avó ficou doente
Catarata ela teve
Fui cuidá-la
Voltei a Pirajuí
E lá tratei de minha avó

VIII

Voltei para cá em mil novecentos e oitenta e cinco
Comecei a sair à noite
O meu pai tolheu
Colocou-me par trabalhar com ele
Assim foram mil novecentos e oitenta e cinco mil novecentos e oitenta e sei mil novecentos e oitenta e sete.
De tanta humilhação eu saí
Entre na baderna
E saí dela quando eu voltei a trabalhar
Fui chamado em março de mil novecentos e oitenta e nove
E até hoje eu estou

IX

Derrepente
Namoro-te
E você me abandonou
E eu continuo querendo sair daqui.

Luís Antonio Padovani
13/9/1990
Publicado no livro "Maquina"
Ano da publicação 1983
Editora João Scortecci
São Paulo,. São Paulo


quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Nada muda

I

Preconceito
Eu não tenho nenhum
Para mim pouco me importa
Quando eu conheço uma moça
Se ela for linda ou feia
Eu quero o que ela tem por dentro

II

Preconceito
Eu não tenho nenhum
Quando eu conheço uma mulher
Para mim pouco me importa
Se for sapatão ou não
Para mim o que importa
A conversa for agradável

III

Preconceito
Eu não tenho nenhum
Quando eu conheço uma mulher
Para mim pouco me importa
Se ele for virgem ou não
Pois é que tem que saber o momento de fazer sexo

IV

Preconceito
Eu não tenho nenhum
Para mim pouco me importa
Quando conheço um homem
Se ele for gilete
Corta dos dois lados

V

Preconceito
Eu não tenho nenhum
Para mim pouco me importa
Quando eu conheço um homem
Ele for mulherengo ou não
Eu quero apenas a sua amizade

VI

Preconceito
Eu não tenho nenhum
Para mim pouco me importa
Quando eu conheço um homem
Se ele for veado ou não
Se não for me cantar tudo bem
Porque eu não sou

VII

Preconceito
Eu não tenho nenhum
Para mim pouco me importa
Quando eu conheço alguém
Se ele bebe alcoólico ou não

VIII

Preconceito
Eu não tenho nenhum
Mulher e homem trabalhar é para mim normal
Dentro de casa a vida é um tédio

IX

Preconceito
Eu não tenho nenhum
Para mim pouco me importa
O que faz alguém para sobreviver
Se ele é isso ou aquilo
Sendo honesto tudo bem

X

Preconceito
Eu não tenho nenhum
Eu tenho ideologia que eu não aceito
Mas não é preconceito
Pois, é uma atitude tomada de reflexão.

XI

Preconceito
Ato feito
Parar resistir
As mudanças.

Luís Antonio Padovani
21/08/1990
Gilite gíria que quer dizer que faz sexo com homem e mulher

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Participação

O que é a casa do escritor
É para mim algo mais
Algo mais que um divertimento
Algo mais que um passa tempo
Algo mais que apenas conversas
Algo mais que umas sugestões
Algo mais que uma rotina
Algo mais que simples reuniões
Algo mais que uma conversa amigável
Algo mais que um relacionamento social
A casa do escritor
É a minha casa
Onde eu posso expor as minhas ideias
Junto com os meus companheiros
É assim que todos fazem
Com belas prosas
Com belos versos
Com belos contos
Com belos textos
Todas as terças-feiras são lidos.
Lidos com muita atenção
De quem lê
E de quem ouve
E assim surgem debates incríveis
Comentários hilariantes.
Com todos os participantes.

Luís Antonio Padovani
25/09/1990
A casa do escritor é a casa do escritor de Moji Guaçu


Lembranças de ontem

Cidade jardim
Como fica bem esse slogan
Você bela
Você é maravilhosa
Você é florida
Você é bondosa
Você é cheirosa
Eu não encontrei nenhum preconceito
Tuas flores têm cores belas
Você é feita de um povo
Um povo maravilhoso
Um povo compreensivo
Um povo que rouba um pouco do teu perfume
Um povo florido
Um povo sincero
Mas alguém um dia me disse
Você vai ver o quanto dói uma saudade
E eu nem liguei
Porque pensava saudade não doía
Mas hoje eu sei que dói
Quando eu procuro inspirações em minhas recordações.

Luís Antonio Padovani
25/09/1990

Ser brasileiro

I

Ser brasileiro
Como é ser brasileiro
Eu não entendo

II

Ser brasileiro
O que é ser brasileiro
É carregar a bandeira nacional no dia sete de setembro

III

Ser brasileiro
O que é ser brasileiro
Cantar o hino pátrio
Quando aluno dentro das escolas

IV

Ser brasileiro
O que é ser brasileiro
É apenas nascer no Brasil


V

Ser brasileiro
O que é ser brasileiro
É carregar as cores do Brasil no intimo


VI

Ser brasileiro
O que é ser brasileiro
É apenas dizer eu sou brasileiro

VII

Ser brasileiro
O que é ser brasileiro
É assistir filmes brasileiros

VIII

Ser brasileiro
O que é ser brasileiro
É qualquer cidadão que mora no Brasil vindo de qualquer parte do mundo

IX

Ser brasileiro
O que ser brasileiro
Eu não entendo o brasileiro
Porque dizem que tudo que é nacional não vale nada
Somente porque é nacional
E que coisa que não existe produto estrangeiro ruim
Existe sim
Até pior que os nacionais
Então porque esse desinteresse por produtos nacionais


X

Ser brasileiro é amar tudo o que é feito no Brasil
Prestigiar a Pátria
Ser brasileiro não é nada disso
Se brasileiro é honrar o Brasil
Ser brasileiro é conquistar produção para o crescimento do Brasil
Ser brasileiro é tentar fazer um Brasil melhor
Ser brasileiro é ter respeito pelo brasileiro
Ser brasileiro é participar do Brasil.

Luís Antonio Padovani
16/09/1990

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Natal

O dingo bel está em minha
O natal está presente
E o pergunto
O que é o natal?
Será que o natal é um sonho?
O natal é o nascimento de Jesus Cristo, o nosso Senhor.
Filho da Virgem Maria e do carpinteiro José
Filho de Deus, o criador do céu e da Terra e de tudo que existe no mundo.
Uma troca de presentes
O que deveria ser o natal?
Confraternização entre as pessoas
Um fortalecimento das uniões
Um dia especial para balancear o que foi feito
Repetir as boas ações
Repudiar as más

Luís Antonio Padovani
1/10/1990

Publicado no livro no livro 1a. Antologia poética de Mogi- Mirim
Página 44
Editora João Scortecci
Cidade São Paulo
Ano da publicação 1991

Questão amorosa

Quando eu penso na vida
Eu digo que eu penso na morte da bezerra
Porque eu não quero que ninguém venha me perturbar
Porque eu quero refletir na saudade que eu sinto por você
Valeria você é a primeira mulher que despertou o meu lado masculino
Que ruim é ficar longe de você
De você eu só tenho coisas boas
Eu não sei por que você não mora mais perto de mim
Somente para te ver todos os dias
Encontrar-te todos os dias
Eu te beijaria todos os dias
Amar te ia todos os instantes
Em meus braços eu iria ter-te
Sentir seu corpo envolvido no meu
Ir ao cinema
Falar coisas banais
Que coisa linda

Luís Antonio Padovani
1/10/1990

Abertura

Amor
O que é o amor
Eu escuto isto desde sempre
Amor
Tem que se dar a ele (a)
Ele (a) é uma criança
Senão crescerá revoltado (a)
Amor
Um casal de namorados jura um para o outro
Amor
Algo invisível
Amor
Torça-se com facilidade
Um namorado (a) larga do outro (a)
Amor
Encontra outro amor
Amor
É um estado de espírito
Amor
Será que ele é racional
Eu não amo fulano (a) porque ele (a) assim
Amor
É tão-somente uma ilusão
Feita somente para minimizar os sofrimentos
Amor
 O que é o amor
Amor
Será que ele existe mesmo
Amor
Será que ele é uma justificativa para que se faça tudo
Amor
Dizem que nasce
Amor
Muita gente não consegue encontra-lo
Amor
Será que isso é real
Ou uma desculpa para as necessidades fisiológicas humanas

Luís Antonio Padovani
1/10/1990

domingo, 18 de novembro de 2012

Brincar

Brincar de palavras
Brincar de palavras?
Brincar de palavras!
Será que as palavras brincam
Então faremos um joguinho
Uma brincadeira nós vamos fazer
Jogar as palavras
Jogar para onde?
Jogar para lá e para cá
Nunca ter um destino
Ou será que elas têm um destino
Hei espere ai
Parece que têm sim
Ficar as soltas elas não podem ficar
E qual será este lugar?
É no papel
Para um dia todos possam lê-las.

Luís Antonio Padovani
12/10/1990
Publicado no livro "1a. Antologia poética de Mogi-Mirim 
Ano da publicação 1991
Cidade São Paulo
Editora João Scortecci




Grande rotatividade

Elas andam em automóveis, motocicletas e mobiletes.
Movem em tudo que é auto pelo motor
Elas vão ao motel
Elas engravidam
Elas têm neném
Du, du, dá, dá
Elas são putas
Elas sempre dão prazeres aos homens
Sempre fazem programas por dinheiro
Grátis nada feito
Elas querem saber somente do dinheiro
Du, du, dá, dá
Elas são prostitutas
Elas sempre dão
É um meio de vida interessante
Capaz de dar inúmeras doenças
Du, du, dá, dá
Elas são mulheres de programa
Elas sempre dão

Luís Antonio Padovani
12/10/1990

Festa

I

Tudo é festa
Tudo é a alegria
Tudo faz a alegria do comércio

II

Tudo é festa
Tudo é a alegria
A criançada toda ganha presente

III

Natal
Eu não sei não
Eu tenho certeza
O que é o natal
Uma festa cristã que comemora o nascimento de Cristo
O filho de nosso criador
Que veio morrer na cruz para nos salvar
Tirou os nossos pecados

IV

Natal
O que é o natal hoje
Hoje ele não tem nada haver com a salvação do pecado
Ele tem tudo haver com a salvação do comércio
A ideia do natal foi desvirtuada
E o seu aniversariante ficou para o segundo plano uma vez que o comércio tomou conta da mente das pessoas
Porque todo mundo quer ganhar o seu presente
Uma lembrancinha para um parente ou amigo
Mas será que somente uma oração não é o suficiente
E onde fica a fraternidade entre os homens?

Luís Antonio Padovani
12/10/1990

Imagine uma coisa

O que parece ser, mas não é.
Nem tudo que reluz é ouro
É o que a minha avó Isaura diz
Mas até que ela tem razão
O que eu tenho para contar para vocês parece uma piada
Mas de piada não tem nada não
É a mais pura verdade
No Brasil um feriado era comemorado duas vezes
Pois eles eram antecipados
E agora não
E o Brasil a precisar de riqueza
E povo não querer trabalhar
Então como gerar riqueza sem trabalhar
Esta situação tinha que parar realmente
Parar de dar feriado e trabalhar é bom

Luís Antonio Padovani
31/10/1990

Calada da noite

Sem sono
É de madrugada
Eu me mexo deu lado para o outro da minha cama
Nada disso adianta
Eu passo para o outro quarto
Tento dormir
É inútil
Então para não incomodar a minha irmã e a minha mãe eu levanto da cama pego um calção, uma camiseta e um chinelo.
Visto-me
Saio para a rua com paradeiro incerto
E nem dez metros eu ando
Vejo três rapazes a satirizar o Paraqueda
Aproximo-me mais da cena
Eu peço para o Paraqueda dormir
Pois estão a zombá-lo
Ele sai e vai dormir
Depois disso com alguma conversa fico, a saber, de uma coisa engraçada.
Uma sapatão e uma piranha brincarão.
Porque a sapatão soube que a piranha tinha um macho
E na bagunça a sapatão gritou
Eu chupo esta boceta sua em troca de um pagamento do seu quarto
E você sai com um homem?

Luís Antonio Padovani
31/10/1990

Continuidade

Mina minha
Mina eu não tenho nenhuma
Mina minha mina
Mina nenhuma pega em minhas mãos
Mina minha rica riqueza
A minha mina é a minha companheira
Mina somente nas ruas com os outros
Mina é a minha alma
Eu sou um desalmado
Mina minha mina
Eu um dia eu tive você
Mina minha mina
Eu estou prestes a andar com outra
Mina minha mina
Este recado é para você
É para você vê
É para perceber que o mundo anda sem você

Luís Antonio Padovani
31/10/1990

sábado, 17 de novembro de 2012

Inevitável

Inevitável é tentar evitar o inevitável
Como evitar o inevitável?
É um absurdo
Inevitável é tentar evitar o inevitável
Tentar evitar o inevitável é como um governo a partir de um dia decretar
A partir de hoje não vai nascer mais gente
Isto é inevitável
Pois elas nascem mesmo
Fruto de uma relação de amor
Fruto da felicidade de dois indivíduos
Inevitável é tentar evitar o calor
Como acabar com o fenômeno da natureza
Inevitável é tentar evitar o envelhecimento
Ele vem naturalmente
E se preocupar com ele
Ai sim ele vem mais rápido
A tua vida não terá nenhum sentido
Porque ela passará tão rápido
Que você não terá feito nada nesta Terra
Passará simplesmente nesta vida
Como um ser que veio ao mundo
Como um ser que viveu preocupado
Como um ser que morreu e não realizou absolutamente nada
Uma vida absolutamente vazia
Inevitável é tentar evitar o inevitável
É como acabar com todas as flores
Com todas as belezas
É puramente impossível evitar uma coisa que é inevitável
É como chegar um governo e decretar
Todas as praias se acabaram
Não existem mais peixes
Não existe nenhuma beleza natural no fundo das profundezas
Evitar o inevitável é impossível
É como um governo tentar a beleza do céu no dia de sol
Evitar o inevitável é inevitável, pois ele virá.
A dor vem
Infelizmente é impossível viver sem ela
Inevitável é tentar evitar um acontecimento iminente
Ocultar alguma coisa que estará por vir
Inevitável porque ela virá
O percurso da história é inevitável
È assim que a história se repete
Um governo nunca aceita o seu fim, mas i fim acontecerá.
Porque quando ele está por vir
É um sinal de cansaço
É um sinal que uma época está no fim
Que uma classe dominante será substituída por outra
Sem o mundo rachar ao meio
Ele continuará do mesmo tamanho e com mais gente
Até chegar o outro cansaço
E uma outra classe dominante tomar o poder

Luís Antonio Padovani
2/11/1990
Sobre a queda do muro de Berlim e o fim do comunismo na URSS União da República Socialista Soviética

Transferência

 Inês Cássia
Eu vou lhe dizer uma coisa a você
Não me leve a mal
Mas é um desabafo
Eu vou colocar para fora algo que me atormenta
Às vezes nós temos que dar um tempo
Tempo necessário para que o nosso namoro não termine
Para que quando voltarmos a nossa relação esteja mais fortalecida
Para que ao voltarmos estejamos decididos em nunca mais nos separar
A nossa separação me traz saudades
Um desejo estar novamente ao seu lado
E cada dia eu estou mais apaixonado
E cada dia eu estou mais decidido que eu quero ficar com você
Em ficar até o fim da minha vida
Eu e você abraçados até o fim da vida.

Luís Antonio Padovani
13/11/1990

Desarme

Eu tenho um sonho
Que jamais eu irei realizar
Eu tenho um sonho
Muito comum entre os mortais
Um sonho simples
Que todos os homens têm
Homens!
Homens sim
Eu desejo faze-lo
É de casar e ter filhos
E o motivo de não consegui-lo é por que
Assim que as mulheres se aproximam de mim
Logo fazem a pergunta fatal
Você bebe
Até parece que um copo vale mais do que um homem.

Luís Antonio Padovani
13/11/1990

Dois lados da vida

Quando se vive na solidão
É tão triste
Não tem namorados
Não tem amigos
É tão vazio
É tão monótono
O dia parece longo
Chega a ser angustiante
A solidão machuca
A solidão magoa
A solidão dói
Pudera
Ter amigos é tão gostoso
Que só nos faz bem
Divertimos e conversamos
Damos um novo ritmo as nossas vidas
E sentimos o prazer em viver
Que jamais acaba.

Luís Antonio Padovani
13/11/1990

Fieis atentos

É um dia diferente
Quando a família se reúne
Para festejar um grande dia
Afinal não é qualquer dia
É um dia especial
É o nascimento do Nosso Senhor Jesus Cristo
O filho de Deus
É um dia de muitas festas e alegrias
Quando o papa realiza a missa do Galo
E o mundo inteiro acompanha pela mágica da televisão
O mundo reza com o papa
O nascimento de Jesus Cristo
Este ritual repete-se todos os anos na noite de vinte e quatro de dezembro

Luís Antonio Padovani
13/11/1990

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Vertical

Geladinho
Um sorvete diferente
Sem palitos
Sem massas
Ai que gostosinho ele é
O tal do geladinho no calor é o que é
Ele tem que ser chupado
Ele não é vendido em sorveterias
Ele é feito de forma caseira
O geladinho torna o calor mais fresco.

Luís Antonio Padovani
27/11/1990


Transformação

Revolução
Revolta
Mudança
Todos os dias
Todas as horas
O mundo não para
E nem pode parar
Porque a tendência do mundo é evoluir
No mundo tem sempre uma revolução
E o mundo não cansa de mudar
Porque a mudança é necessária

Luís Antonio Padovani
27/11/1990

Editar sim

Um sonho
Que agora não é mais sonho
Agora é verdade
Mas tudo parecia um sonho
Um sonho
Duro de virar realidade
Um sono impossível
Agora eu irei fazer um livro
E isso é bem verdade
E não é mais um sonho
É uma satisfação
É uma alegria incontrolável
Que será repetida com mais outros dezenove.

Luís Antonio Padovani
27/11/1990

Carisma

Salvador da pátria
Quem são os salvadores da pátria
Eu estou cansado de ouvir
A, B, C ou D é melhor para nós.
Meu Deus isso se repete em todas as eleições
Estão à procura de um salvador da pátria
Mas isso não existe minha gente
O salvador da pátria somos nós mesmos
Nós é que temos que trabalhar
Trabalhar para este país enriquecer
Trabalhar para que esse Brasilsinho sair do buraco
Do buraco onde se encontra
Para que se torne grande
Uma grande nação
O salvador da pátria somos nós mesmos
A nação inteira faz tudo.

Luís Antonio Padovani
27/11/1990

Vigilância oculta

A vida é um eterno encontro e desencontro
A vida é um eterno vai e vem
Uns morrem
Outros nascem
Uns vão embora
Outros voltam
Uns estão sempre acompanhados
São bem-amados
Outros sozinhos
Ninguém os ama
Ficam desolados
Sempre deixado de lado
Sem ter onde sair
Sem ter com quem conversar
Criam o seu mundo próprio
Onde a felicidade procurada no mundo real é encontrada.

Luís Antonio Padovani
10/12/1990

Esquecido

Mal tratado
Pisado ignorado
Simplesmente uma alma
Um andante
Um indivíduo que anda pela multidão e ninguém vê
Um indivíduo sem nenhuma importância
Sem nenhuma namorada
Sem alguém para beijar
Sem alguém pra desejar
Um indivíduo
Que vive por viver
Sem destino
Sem rumo certo
Sem destino algum

Luís Antonio Padovani
10/12/1991

Festa de serpentina

I

Todo mundo pula
Abraçados ou sozinhos
Em blocos ou não
Acontece em clubes fechados
Da prefeitura ou não
Mas isso não interessa
O ingrediente da festa do momo são os foliões
Que de porre vão ficar
E de cara limpa eu vou pular
É uma menina cair nos meus braços
Eu penso que seria muito bom
Então eu faço um pedido a uma menina
Venha pular comigo

II

Eu vou cantar
Cantar todas as musicas do carnaval
Alegre nós vamos ficar até o carnaval acabar
E quando isso acontecer
Eu irei aguardar o início de outro carnaval
Para poder dançar com você outra vez menina.

Luís Antonio Padovani
10/12/1990

Caminho dos meus pais

Anos e anos se passaram
E as coisas continuam as mesmas
Portanto nada mudou
As pessoas continuam a falar dos mesmos assuntos
Continuam a pensar da mesma maneira
Agir do mesmo modo
Tudo como antes
E assim os anos vão se passar
E as conversas continuaram as mesmas
Nada mudará
Tudo continuará da mesma maneira
Tudo permanecerá como há anos se faz

Lis Antonio Padovani
10/12/1990

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Quero sua presença

Não faz mal que o Papai Noel não existe
Não faz mal não papai
Eu não preciso de presentes
Para o que o senhor fique contente
Eu preciso de sua presença
Eu preciso da sua amizade
Eu preciso de uma conversa
Eu preciso de um bate papo
Eu preciso da conversa de um amigo
Eu preciso do seu conselho
Eu preciso da sua sabedoria
Que ao passar dos anos o senhor adquiriu
Papai o melhor presente é a presença do senhor.

Luís Antonio Padovani
11/01/1991

Natural é a natureza

O sol nasce
O senhor de tudo, ele brilha.
Enxuga a roupas e louças
Ele dá energia aos seres vivos
O dia acaba
Começa a noite
Vem a lua
Misteriosamente inspiradora
Desaparece para dar lugar ao sol
Este vai e vem se repete
Nossa gente
Morre gente
As flores se abrem
As flores fecham os botões
Em uma acabar e começar sem fim

Luís Antonio Padovani
11//01/1991

Despertai


Acordo pela manhã
Escovo os meus dentes
Eu tomo banho
Saio a correr pela rua
Encontro uma garota
Convido-a para ir à piscina
Ela aceita
Ao chegar lá
Ela vai ao seu vestiário
Eu vou ao meu
Logo que eu me troco
Vou à piscina
Eu não a encontro
Penso que está com outro
“Será que ela encontrou com o seu namorado e me largou”
Sinto-me solitário
Sinto-me derrotado
Mas para a minha alegria ela apareceu
Conversa vai
Conversa vem
Jogamos bilhar
Jogamos basquete
Jogamos vôlei
Nadamos de montão
O dia acaba
E cada um dia nós
As nossas casas nós voltamos.

Luís Antonio Padovani
11/01/1991