Ao pensar no meu pai
Eu imagino porque ele não quer conversar comigo
Se fosse pelo menos um dedinho de prosa
Ele pode descobrir que eu não sou mais virgem
Eu quero dar essa informação a ele
Mas ele se recusa a me ouvir
Então ele me trata da mesma forma
Ele me trata como eu fosse um virgem
A virgindade já se foi para o buraco
Em uma sauna mista em São Paulo
Eu e mais o Paulo fizemos uma mulher de sanduíche
II
Ao pensar no pai eu procuro dar lhe essa informação
Mas a informação que ele ouve é dos pesseudos amigos
Que estão com ele por cauda da cerveja e do seu dinheiro
Eu e o meu pai não nos entendemos
Ele prefere ir ao rancho e tomar uma e outras do que ficar
com a família
Ele prefere ser roubado por causa de sua embriaguez por
estranhos do que ficar em casa com a sua família
III
Ao pensar no pai fico furioso por ele não ouvir sua mulher e
seus filhos
A família é à base da sociedade
Onde começa a vida social
Se pensar nisso tudo pode mudar
Mas o se não joga
Então o que fazer
Rezar
Bobagem
É agir
Para ver se ele enxergar além de seus amigo
Ao olhar de fora eu vejo que as pessoas querem aproveitar
dele
Isso ele não vê
IV
Ao pensar no pai eu escrevo isso
Um meio de desabafo
Que não vai adiantar nada
Por ele não ver
Por ele não vê o que eu escrevo
Por ele não me escuta
V
Ao pensar no meu pai
Um homem quer ser fazer de surdo quando eu falo
Eu posso me aproximar dele
Mas ele não quer
Ele faz tudo para não se aproximar de mim
E o que eu posso fazer
Nada
Porque ele não faz nada para que isso mude.
Luís Antonio Padovani
Escrito 4/8/1987
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