quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Sabedoria

 O que é esconder?
Esconder é confiar
Esconder é desmentir
Eu só escondo o nome do meu time de futebol
Porque eu não sei se realmente eu torço, ou quero ser igual aos outros.
Falar que eu torço pelo Santos me aborrece
Porque parece que não sou que fala
Se eu escondo o nome de meu país é porque eu tenho vergonha dele
Se eu escondo o meu apelido é porque eu acredito que quem tem que saber do meu apelido é somente  para os mais chegados
Eu se eu escondo um assunto qualquer é porque eu quero privacidade
Se eu escondo o que eu faço é porque eu não quero testemunhas
Se eu escondo algumas qualidades é porque eu tenho vergonha. Medo
Medo do desconhecido
Vergonha de ouvir as opiniões dos outros
Ouvir os outros meterem o pau no meu trabalho é dose de elefante
Eu não sei se eu terei forças para esta situação
Se eu limito alguns assuntos é porque eu não quero ouvi-los
Nada na vida é à toa
Se eu não quero falar muito de alguém é porque eu quero mostrar que esse alguém é apenas um conhecido
Esconder é para muitos uma ração de agonia
Esconder é privatizar, mas é evitar comentários.
Até mentir é esconder
Mentir é esconder a verdade
Para não tirar o que é nosso
Nosso em nossas vidas.

Luís Antonio Padovani
Escrito na página 4/12/19896
1983

Olha só

I

Ah.... Criança
Que saudade eu tenho do tempo em que eu era criança
Mas não faz muito tempo
Pois sempre me trataram como tal
Esqueceram que eu tenho que crescer
Saudade de ser criança
Para ser tratado como tal
Não ser um adulto adolescente
Um adulto que não sai da adolescência
Mas sempre luta para sair
Porém sempre é tratado como criança
Sempre, sempre
Chega ou não chega
Comida e dinheiro se dão para quem pede
Comida eu tenho em uma pensão
Atenção, carinho e orientação.
Sempre se dão aos filhos
Aos sobrinhos
Aos netos
As pessoas amadas da família
Que se quer eu sinto tal coisa
Eu não sinto nenhum apoio
Sempre senti um desamparo
Eu sou sempre tratado como uma criança
Já passei da idade
Eu preciso voar
Ter a minha independência
Como um pássaro com asas

II

Agora que as asas estão vivas
É agora que elas têm que me ajudar
Arrumar um trabalho
E eu dar aos outros o meu valor
Pois eu acredito no valor de todos
Não é possível que alguém não tenha nenhum valor
Pois até para andar é preciso esforço
Até para andar é preciso fazer ginástica
Até para andar é preciso saber
Eu quero ser tratado como adulto
De acordo com a minha idade
De acordo com o meu pensamento
Ter um tratamento igualitário
Quero viver junto com outras pessoas
Eu quero conversar
Trocar ideias
Eu não quero viver isolado
Um ser humano é feito para viver em grupos.

Luis Antonio Padovani
Escrito na página 4/12/1986
1983/1984
1983

terça-feira, 30 de outubro de 2012

quando se tem resolve

Esta mensagem é para que ela nunca morra
Essa mensagem tem algo especial
Ela não pode ser esquecida
Esta mensagem eu transmito com muita emoção
Aqui eu vou comunicar em fim para que um dia todos entendam
Para que fiquem de olho bem abertos
Lá vai ela
Depois que a Inês esta morta não adianta fazer nada
A solução é fazer algo quando tem alguém para olhar
Depois que a Inês está morta não tem nada que vai ressuscitar
A Inês é a parte mais importante de nossas vidas
Algo tem que ser feito quando se tem ela
Porque quando a Inês morre!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Acaba um pouco a esperança
A Inês é que nos dá a vida
É da Inês que o fruto faz-se faz surgir para o mundo
É da Inês que vem a tranquilidade
É da Inês que vem a fé de renovar da esperança
É da Inês que transporta todo um conhecimento da fraternidade
É da Inês que muitas vezes vem à inspiração
Porque ela muitas vezes diz coisas que emociona no fundo
Depois que a Inês estiver morta!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Pense bem nisso
Quando se tem uma Inês tudo se torna mais forte
  
Mesma estopa
  
Levar certas pessoas em credibilidade fatal
Esse problema é prosa mole thê
A mesma conversa
Que prosa
Eu não entendo o que dizem
O que dizem está além da minha compreensão
Aqui nesta mesma família
Exemplos existem
Os irmãos são diferentes
Uma delas foi presa por se manifestar
E a outra não
Uma foi a Paris
Outra não
A primeira é a mais velha
A segunda é a mais nova
E o que tem haver com isso
É são farinha da mesma estopa
É o caso de muita gente que não quer entender nem um pouco
O quanto se engana
Ou o quanto quer se acertar
Prosa para se pegar no sono
Dali a cinco minutos, dez, vinte eu vou acordar.
Então é o caso de se pensar
Todos de um só ambiente são iguais
Juras
Mas infelizmente não posso acreditar
Principalmente quando se é botado para se criar
Ou então em uma idade para se entender
Começar a dizer tudo
Começar a não escutar, e pensar diferente.
Ora isso é normal dentro de um processo evolutivo
Então todos têm de ser respeitados
E não levar em credibilidade coisas assim.

Luís Antonio Padovani
Escrito na página 5/12/1986
1983

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Um ser humano é passivamente condicionado

Um poeta nunca morre
Ele é sempre lembrado em obras de outros
E agora eu sou obrigado a citar uma citação do Lupa
O poeta da dor de cotovelos
Que passou por muitas desilusões amorosas
O pensamento voa
Voa sem fronteiras
Voa sem obstáculos
Ele é livre
Ele não conhece limite
O limite é o próprio pensamento
Que permite imaginar muitas situações
Permite por exemplo imaginar que alguém imagine que um outro alguém é ninguém
Mas esse outro alguém sabe que é alguém, e que tudo não passa de influencias do mundo externo.

Luís Antonio Padovani
3012/2012
Lupa o acunha de Lupicínio Rodriguês

sábado, 27 de outubro de 2012

Inquietação

 1o parte

I

Cala a boca
Você não sabe nada
Cala a boca
Você não sabe nada
Não saber nada é triste
Ou, por outro lado, impossível.
Pois sempre alguma coisa de nossas vidas sabe.
Então, por que este “cala a boca”,
“Você não sabe nas”?
É, sim, uma repressão.
Cala, a boca nada.
É... Mas tem de que falar
Coisas erradas que estão acontecendo ao nosso redor
Em torno de todos nós, para todos verem.
Para constatarem a forma errada.
Cala boca uma ova!
Tem mais que falar.
Esta forma arcaica de se dirigir é fracassada
Alguma coisa se sabe de si mesmo
Ou alguma coisa se sabe pelas emissoras,
Emissoras de rádio ou televisão
Ou por algum canal do cinema.
Nós não podemos deixar algo assim
Não podemos deixar que alguém nos dirija assim
Nem permitir que nos reprima
Nem permitir que aça de nós um instrumento só de uso
O instrumento que serve só para alegrar
O instrumento que faz deixar mágoa através da tristeza.
Não devemos nos conformar nunca com o que não nos contenta
Como o que não nos agrada
Se o fizermos seremos passados para trás
Passados por despercebidos
Tem mais é que falar, cantar, alegrar.
Tem mais é que dar um ar doce para as pessoas
Mas se não gostar do cenário o que fazer?
Se não obtivermos meios de sustentação
Se dependermos de outros
Se a economia for escassa
- Ou não tiver nenhuma-
Isolar para não perceber
Ou participar calado
Ou deixar a maré amainar
Não querer participar é enfraquecer
Querer participar é se fortalecer
Mas a participação não-ativa também enfraquece.

II

Há meios de comunicação que participam a todos com vigor e bom gosto.
É forte, é potente.
Entra você, a cada dia de nossas vidas, bem mais perto.
Para que nós também tomemos parte do mundo
Parte das informações para que aqueles poucos, que não podem se divertir,
Pelo menos não passem sem se divertir.
Estes poucos tenham a vida melhor
Tenham a vida mais agradável.
Para os aleijados e doentes
Para is acompanhantes dos enfermos
A todos que não podem ter uma vida social regular
Para todos que têm a vida presa
Mas perdem na medida em que não há comunicação verbal
Mas ajuda em uma fase da vida
Quando as pessoas trabalham, você é o descanso.
Descanso do trabalho
Tira a comunicação familiar
Enderece as pessoas de uma família
Faz que elas parem de acontecer
Pois, tira-lhes a vida social.
Para assistir às novelas
As programações musicais, artísticas, do mês, da noite, da semana.
Tudo de longo tempo para ficar sentado,
Ouvindo, vendo, tirando a atenção
Os livros não mais são lidos nesses horários
A programação cultural é deixada par mais tarde
Os passeios à pracinha não são mais frequentes
E a vida prossegue

Que modos são esses?

Cada momento que se perde
É um momento que se fica sem algo a fazer
O lugar em que não se quer ter o convívio
O lugar em que não se preocupa em sair
Isto não é viver
Não é vegetar
Mas não é gozar.
É ficar todos os instantes coma a mão trêmula
O rosto pálido
A respiração defeituosa
É o modo de expressar, de se comunicar.
Logo, calar a boca não adianta.
Não refletiria a realidade
Expressar é o único modo que não pode alguém impedir
É o único modo que incomoda os demais
E como dizer? Como? O que dizer?
Como querer demonstrar?
Como querer fazer algo que não é o convencional?
É deixar os cabelos crescerem com se fosse um rebelde.
Não penteá-lo
Não reparti-lo
Ou então não tomar banho.
Fazer exatamente o oposto às normas sociais
Deixar de lado o padrão da vida moderna
Virar hippie
Isto é por causa daquele “cala a boca”
Porém no mundo há mais maneiras de falar que não seja pela boca.

III

De forma que
Mandar calar a boca não adianta nada
Tem que, isto sim, solucionar o problema.
Tem isto sim, muito que dialogar.
Dialogar só, não.
Porque se só dialogo adiantar, o nordeste não passaria mais secas.
Não existiria o menor abandonado
Não haveria mais presos
Então, o que se tem a fazer, mesmo, é dar participação social.
É fazer somar a outros
É fazer deixar de lado o maior número de preconceitos.
É fazer crescer dentro de si
É fazer melhor que sem participação não é vida
Por uma causa ou outra
Por ter ódio do cenário
Ou querer viver.

2o  parte

Fale tudo com certeza

Não querer viver é um absurdo
Não se compreende.
Querer viver é como se fosse um encontro permanente
Dias repletos de emoções, alegrias e tristezas.
É viver aproveitando o instante
É ouvir vaias e aplausos
É escutar para ficar
Encher-se de satisfação
É quase chorar de contentamento
É parar de escutar
É parar de respirar normalmente
É aproveitar todo momento que a vida nos fornece
Não querer viver não é possível.
Será possível se não gostar da pessoa que esta ao lado
Bem, aí a coisa muda de figura.
Não se pode dizer com qual companhia deva sair
Não deve dizer coisas que não sabe
Dizer que alguém é bicha, se não teve relações.
Absurdo à parte,
Dizer que fulano é mau-caráter
Realmente é um absurdo.
Mostrar o que se diz é uma coisa,
Outra coisa é ficar na palavra
 Ou então no diz-que-diz, que,
Não tem valor
Pois se fala assim só quando foge da compreensão
O telefone é só discar que é alô,
Grande Bell, que o fez primeiro.
A luz é só apertar um botão e acende.
Para isso pesquisas foram feitas.
Para isso novas dimensões foram adquiridas
Mas o que tem a ver isto no cotidiano?
Tudo, pois foi através da compreensão dos fatos que hoje se tem o que se tem.

3º parte

Tu não viver, mas estás sempre presente.

Ô gloria de viver deverias er de todos.
Mas não és.
Deverias deixar que as guerras cessassem
Mas não cessam.
Morrer ale é todo dia
Tudo dia morre um baleado.
Um só não, é muitas centenas.
Milhões se sacrificam para poucos
Terem um dia um prêmio.
Ô glória, que estás no caminho de poucos.
Ô glória, quem tu és?
Tu não pareces para todos
Quem tu és?
Quem tu és?
Tu não falas
Tu não respiras
Tu não andas
Tu não dormes
Tu não cochilas, quando estás em pé.
Tu sempre és forte.
Tu sempre dás uma ajeitadinha par mudar os fatos.
Ô glória, tu tens nome de mulher.
Tu és uma fada
Tu és uma fada mágica
A quem tudo pertence
A quem tudo é direito
Tu não negas
Tu não afirmas
Tu, sempre viva.
Tu não morres.
Mas tu apreces na vida de poucos,
Apareces tu só para glorificá-los.
Tu não escreves
Tu não vês
Tu não lês
Tu não és um ser vivo
Tu não falas
Tu estás sempre presente.
Ô gloria, que apreces na vida.
Apareces na vida dos muitos que não te sentiram.

Como criar

4º parte

I

Na vida se vêem muitas coisas
Elas são passadas de surpresa
Elas são vistas maldosamente
Elas passam despercebidas
Elas nem são anotadas

Elas são comentadas

Elas são percebidas por todos

Elas são percebidas por uns

Elas são ganhas por outros

Elas ditam as normas de comportamento de uns para com os outros.

Elas podem determinar a condição para viver.

Ou condições para ter medo.
Medo, não de cachorro.
De animais
De carro ou outros veículos
Não é falta de coragem de viver.
Medo é falta de coragem de sair às vias públicas
Mas não é para se ter medo, pois se é via pública é de todos.

II

Como é que se vêem seres humanos
                                                                                        
Sentados sem fazer nada
Seres que são a toda
Seres que não querem viver
Seres que não querem viver
Seres que pertencem uma raça superior
Seres que também podem chorar
Seres que respiram.
Seres que andam.
Seres que alguma coisa pode dar
Para em troca ganharem respeito.
Pare em troca viverem dignamente
Para em troca receberem o que é direito
Viverem uma glória.
Viverem um instante diferente
Adquirirem novos momentos
Terem uma vida agitada
Uma vida cheia de alegrias
Uma vida pode-se dizer quase que é frutífera.
Uma vida de pessoas normais convivendo com as outras.
Convier não é fácil.
Mas conviver é necessário.
E só assim que se adquirem novos valores
Valores que estão dentro de cada um
Valores que, se mostrados, são valores qualitativos.
Valores de certa forma de trabalho
Como pensar? É trabalhar.
Trabalhar é crescer.
Crescer é glorificar, é começar a viver.
A partir daí tem-se o que quer
A partir daí é que se vive com respeito,
Dão crédito
Olham de outro modo,
É porque já está trabalhando, para o sistema.
Tem mais dias interessante

Uma coisa interessante

5º parte

Uma coisa interessante,
Já viram uma cachorro latir?
Aposto que vão dizer que sim.
Já viram um gato miar?
Também, sou capaz de afirmar que sim.
Já viram um leão rugir?
Claro que sim.
Já viram um macaco fazer graças?
Quem não os viu?
Todos, de certa forma, algum dia devem ter visto tudo isso.
Claro que sim, pois quem não foi a um zoológico ou passeou na rua.
Ou então quem não foi ao parque quando criança?
Bem, se não vê assim, para fazer.
Quem está para fazer adulto não é,
É criança que nesta fase quer tudo.
É nesta fase que não quer nada
É uma pessoa se descobrindo
É uma pessoa florescendo
É uma pessoa sorrindo, abrindo caminho,
Abrindo para viver.

II

No começo eu perguntei se alguém viu certos animais.
Quis perguntar a mim mesmo, também. Se eu não tivesse visto,
Portanto, num dia no zôo,
Ido ao circo,
Ou tivesse vivido,
Aí eu estaria preocupado, pois todos vivenciaram estas pequenas coisas,
Pequenas coisas que não são grandes.
Eu penso, se um animal agisse como um homem.
Falasse, raciocinasse, fosse inteligente em seu mundo
Acho que teria de viver com os homens.
Mas não existe coisa assim
O homem é o único ser pensante.
Mas, se um animal das outras raças fizesse o mesmo,
Bem, ele não poderia viver junto da família,
Do meio que ele gosta
Do meio em que ,se ele saísse, morreria

Estou estagnado

6º parte

I

Hoje é o dia me falam.
Falam comigo... É melhor não ter falado
Pois isto eu não queria
Agora você me apoquenta
Ou me aborrecem aqueles que ficam quietos
Porque fazem à vida dos outros
Ser uma solução.
Be que digo
Digo sempre não gostar
Você pode voltar
A escolha é uma
A escolha tomada tem que ser respeitada.

II

Quero dizer tantas coisas
Mas tantas coisas, mesmo
Mas neste instante não está dando
Estou bloqueado
Só sei dizer estas palavras
Elas são poucas, mas para mim representam tanto!
Representam um alivio
Para daqui a pouco continuar
Aquilo que eu me propus.

7º parte

Reprime um, reprime outro.
O fato mesmo é que nunca admito o que está reprimindo.
Nunca diga esta palavra
Pois ela é chata.
Palavra chata?
Sim, ela existe,
Existe no tocante ao inviolável significado
Pois o chato dela é o seu sentido
Reprimir...,...,...,...,...
Não é como andar, passear, correr,
Existe nela algo que ninguém gosta.
Num país nunca houve repressão através de seus governantes,
Sempre através da outras nações.

Mar

8º parte

Através do seu ver, piscina põe-se imponente.
Em alto, bruto, não sai a sua majestade.
Tenha cuidado!
Não vá ao fundo!
Não passe da praia!
Fique perto de alguém
De alguém que o respeite
De alguém que lhe dê atenção
De alguém que seja amigos
Um amigo para valer
Pois quando ele dá levar, ele leva.

Novidade
9º parte

O mundo escraviza a gente,
Por que alguém passa, pergunta de onde você é?
Ninguém é obrigado a responder isto.
Afinal, não se pode ficar preso a um destino.
Perguntam-se quais são os seus antecedentes,
Mas eu sou uma pessoa
Meus antecedentes são outras
De forma que sou eu que tenho de viver.
É importante saber que tudo gira,
Gira par uma pessoa
Não para seus antecedentes.
O mundo é assim, quem pensa em mudar.
Pensa erra.
O mundo muda por si, e por si é mudado.
Mas o que faz o mundo mudar
São os acontecimentos
São os fatos
É a história
São os homens que a constroem.
De forma que a mudança de uma sociedade é demorada.
O mundo, afinal, é o mundo,
Com ou sem ele vamos viver.

II

Mundo do mundo de quem não faz nada
É um mundo pequeno
De falsas
De falsas ilusões
Vive-se quando se é criança
Criança pequena
Por que dizer adulto?
Porque o adulto esconde a sua criança.

Estou à procura do fim

10º parte

Estou amargando uma continuidade
Mas eu desejo acabar
Mas eu tenho cem outros assuntos para botar
Sempre quero acabar
Sempre penso aqui termino
Mas não termino.
Sempre penso: este é o derradeiro parágrafo
Mas é engano
Engano porque eu não termino.
Isto é, há algo em mim que quer tirar a minha vontade.
Algo em mim que está me policiando
Algo quer que eu leve avante.
Agora acaba a folha, eu estou escrevendo.
Mas eu não desejo.
Se eu não desejo faço este o fim
E agora acabou
É o fim
Agora é o encerramento que eu desejo dar
Agora estou dando
De fato é o FIM.

 Luís Antonio Padovani
Escrito na página 4/12/1986
1983
Publicado no livro "Q Dê Sete
Editora João Scortecci
São Paulo, São Paulo
Ano da publicação 1996
Páginas 9, 10, 11, 12. 13, 14, 15, 16, 17, 18, 19, 20, 21 e 22

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Quero florescer

Chega!
Chega!
Chega de fingimento
Chega de decidirem por mim.
Chega o que fazem comigo.
Chega de falsas situações.
Chega de comodismo.
Chegam às coisas que decidiram por mim.
Chega de ficar parado,
Chega de ficar calado.
Chega de fazer de bobo.
Chegam às coisas indecisas.
Chega!
Chega o dia de eu ter ficar olhando para cima.
Chega de decidirem por mim.
Chega de dizer o que é melhor.
Chega de palhaço
Chega de troca-troca de conversa.
Chega de dizer bonzinho.
Chega de moleza.
Chega de incerteza.
Chega de mágoa.
Chega de um dizer igual ao outro.
Chega de ser tratado como bebê de frauda.
Chega de tolher a minha liberdade.
Chega de dizer o que fazer.
Chega de falar o que eu acho.
Chega de comentários.
Chega de sufoco.
Chega de treze anos parados.
Chega de treze anos calados.
Chega de não me deixarem de opinar.
Chega, hoje.
Chega agora.
Chega de tolher onde eu devo morar
Chega de dizer que ali é melhor lugar
Chega porque o melhor lugar o melhor lugar é o coração
Chega porque o melhor lugar é onde tenho conforto.
Chega porque o melhor lugar é onde tenho opinião.
Chega de situações ridículas.
Chega de contar histórias
Chega de lembrar.
Chega de ver onze anos.
Chega de destruir gibis em fogo.
Chega de lembrar que já falei
Chega de ser criança.
Chega de não me deixarem crescer.
Chega desses abusos.
Chega quero este fim.
Chega mais não acabou.
Chega de ver moças escaparem de mim.
Chega disso
Chega daquilo...
Chega agora de me ocultar.
Chega de ficar isolado.
Chega de me enganar, que eu estou triste.
Chega de deixar os fazerem por aquilo que eu passo.
Chega de que os outros decidam minha vida.
Chega oras! Não percebe que me prejudica.
Chega dessa vida que não leva a nada
Chega de ficar de lado.
Chega de só observar
Chega!
Chega que eu quero a minha vida
Chega que eu quero o meu rumo.
Chega!  Não sabem o que faço?
Chega!
Chega, não posso ficar calado.
Chega, tenho de viver.

Luís Antonio Padovani
Escrito na página 5/12/1986
Pulicado no livro "!Poema para Solange
feito em 1983
Ano da publicação 1997
páginas 32 e 33
Editora Gráfica Nosde projeto cultural escritores fazendo
Mafra, Santa Catarina

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Indignado

Raiz a ba
Que coisa idiota
Criar raiz para quê?
Eu não sou ligado
Eu penso ser a maior bobagem do mundo
Uma raiz não significa nada
Ter filhos e netos em um mesmo lugar
Sou eu que eu tenho que fazer a minha vida
Raiz eu não procuro
Essa ideia eu penso que é horrível
Para que criar raiz
O ser humano nasce livre
Para decidir onde ele quer morar desde que ele tenha um emprego
Viver à custa do outros é que não dá
Eu sou ligado à família
Mas não a permanência afetiva
Eu ligado à minha raiz
Sou eu que eu tenho que fazer a minha família

Luís Antonio Padovani
Escrito na página 5/12/1986


Faz-se como

Eu prefiro ficar cego a voltar para Moji Mirim
Eu não ver a encontrar coisas do passado
Eu prefiro não ter olhos a suportar mojimirianos
Eu prefiro não escutar a ouvir o que mojimiriano fala
Eu prefiro a cegueira a mojimiriana
Eu prefiro não ver o azul do céu a ver mojimiriano me provocar
Eu prefiro perder a beleza do mundo a ver mojimirianos em minha volta
Eu prefiro sair de bengala e acompanhado a ficar em Moji Mirim
Eu prefiro ficar cego, eu juro.
O problema é que não veem
O problema é grande
O problema tem que ter solução
Porque eu quero ficar em paz
E os meus parentes não enxergarem

Luís Antonio Padovani
Escrito na página 5/12/1986
1983
Publicado no livro "Onde mora o seu preconceito"
Editora Gráfica Azul
Cidade Moji Mirim, São Paulo
Página 8
Ano da publicação 2012

O que se quer dizer

Protesto é
Pô eu existo
Eu estou aqui
Eu protesto
É isso que eu quero dizer
É falar algo através das aberrações
Quando eu protesto
Eu quero falar
Falar algo que está preso em minha garganta
É algo que está guardado dentro de mim
O protesto é
Eu existo pôxa vida
Porque não nota a minha presença
Porque não me escuta
Eu quero que você olhe para mim
Eu sou de carne e osso
Porque você não passa por onde eu estou
Eu existo
Você não enxerga
Aqui está a prova
Eu estou aqui
Parece que não quer me ver
Eu quero falar para você que eu existo
Mas você não deixa
Ô pôxa vida eu quero mostrar que eu existo
Aqui está a minha pele
Ô pôxa deixa que eu resolva a minha vida
Pôxa eu quero ter algo de novo a cada dia
Pôxa eu existo
Eu quero provar
É por isto que eu faço isso
Olha não é à toa que eu estou aqui
Eu estou aqui é para fazer algo
Pôxa será que você não quer enxergar

Luís Antonio Padovani
Escrito na página 5/12/1986

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Uma família atrapalhada

Onde é que estamos
Um filho que não convida a mãe para o seu aniversario por causa do irmão que não toma cerveja
Por causa da cerveja
Pois é, que absurdo.
Eu prefiro me fazer de surdo e fingir que eu não ouvi "o parabéns para você"
Aliás, se não fosse “o parabéns para você” eu não lembraria desta data querida do meu irmão.
Irmão esquisito
Mas é irmão
Um irmão que não visita o irmão é irmã?
Um filho que não visita a mãe doente não é filho
Pois que situação o ser humano se encontra
É isso aí
Uma família assim é família?
Parece incrível ma é família
É a minha família
Que nunca foi família porque nunca foi unida
E por isso eu digo que a minha família é uma ilha
Eu sempre fui isolado
Eu sempre fui ignorado por um problema de nascimento
Por uma barbeiragem médica
Por uma incompetência dos outros
É a vida
Porque não é a morte.

Luís Antonio Padovani
24/10/2012

O que está por trás

Dia mundial da paz
Dia da consagração mundial
Essa gente aí fora em uma guerra por causa de uma ilha
Inglaterra e Argentina
Em uma guerra malvada das Malvinas
Tudo é desculpa
Por causa da religião
Por causa da política
Não parou nem no natal
Não respeitam mais as datas
Não deram mais trégua provisória
Dia mundial da paz
O dia das festividades
O dia primeiro de janeiro
Inicio de um ano novo e termino de outro
Um ano de paz e tranquilidade
Um ano de guerras e mortos
Um ano que muita gente vai esquecer e muita gente vai lembrar
Ano de nascimento e alegria
Ano de morte e tristeza
Lagrimas que somente se dá quando se inicia uma batalha
Essas batalhas levam o rótulo dos Estados Unidos e da União Soviética
Superpotências que dividem o mundo entre capitalismo e socialismo
Um bloco ocidental
Outro oriental
Essas ideologias pouco importam para é atingido
As superpotências querem isso sim, aumentar a sua área de influência.

Luís Antonio Padovani
Escrito na página 5/12/1986


Alento para vida

Eu vou lhe contar uma história
Eu em certa ocasião uma palavra
Os mojimirianos caíram como se fossem patinhos
Eu o fiz para ver qual seria o nível deles
E logo eles pensaram em sexo
Em virtude de tê-los conhecidos eu não me espantei
Logo fiquei aborrecido
E olhei para as crianças como eu queria dizer o que vai ser dessas crianças
Eu percebi que a historia iria se repetir
A palavra iria dar frutos
Caraíba à palavra
Logo eles pensaram ser o aparelho genital
E na verdade eu queria divulgar o caribe da América Central
Somente para eles conhecerem um pouco mais a América
E também eu queria motivar a curiosidade
Colocar um pouco mais de QI
E ai então eles me decepcionaram

Luís Antonio Padovani
Escrito na página 5/12/1986
QI Quoificiente Intelectual


Sempre dar esta

Eu sou tímido
Eu sou temido
Que boa desculpa
Uma desculpa bem bolada
Desculpa que eu dou para escapar de pessoas inconvenientes
Desculpa para não ouvir o que eu não quero
Uma desculpa para não falar que eu odeio Moji Mirim
Uma desculpa sempre atual
Uma desculpa que não perde o seu sentido denotativo
Uma desculpa para não falar mais nada
Pois ela própria não precisa de qualquer outro ingrediente
Eu tímido
Eu sou temido
Que bobagem
Isso não existe
Eu sou solto e muito solto
Desculpa que eu falo e que eu não gosto de falar
Do modo que eu falo dá impressão de ser verdade
Uma desculpa bem bolada
É uma desculpa convencional
Que boa desculpa
Excelente
Excepcional
Maravilhosa
Magnífica
Eu não preciso inventar outra.

Luís Antonio Padovani
Escrito na página 5/12/1986

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Pessoas idiotas

Acreditar no amor!!!
Que besteira é essa!!!
Eu não sei como alguém acredita.
É impossível
O que está em jogo é reprodução
O ser humano deseja reproduzir e nada mais
Para tanto elimina os mais debilitados
Como na antiga Grécia
O que um cidadão com defeito vai fazer na guerra
Para os mogimirianos amor é sexo
Para eles não existe amor
O amor deixou de ser um sentimento para ser um gole de cerveja
O amor passou a ser casamento para a casa aumentar
O amor passou a ser proliferação
O amor passou a ser crescimetno demográfico
O amor não existe
Os mojimirianos não merecem que os mencione
Doa a quem doer
Essa é uma forma
Uma forma verdadeira de quem não ama
Não ama nem a si mesmo
Quanto dirá aos outros

Luís Antonio Padovani
Escrito na página 5/12/1986

Discussão

Mundo melhor é para gente
Mundo melhor existe somente em pensamento
Existe para os tempos difíceis
Para hora incerta
Para os momentos de maior pavor
Momentos é necessário acreditar em alguma coisa
Momentos de sonhos
Momentos de uma imagem melhor
Momentos de apertos
Momentos de um momento difícil
Esta na hora de acreditar um pouquinho mais no mundo
Mundo melhor existe somente na cabeça da gente
O mundo nunca é fácil
O mundo sempre é difícil
Mundo melhor é para trouxas terem esperanças
Para os vivaldinos aproveitarem
Para botar ideias malucas em uns
Sinceros em outros
Mundo melhor
É para os trouxas deixarem para mais tarde
Para dar suicídio em quem não mais crê
O mundo melhor é o mundo da imaginação, o mundo das crianças que habitam o meu Brasil.
Que habitam o meu coração.
Que habitam o mais importante que é o amor
O mundo não vem preparado somos nós é que devemos fazer
Que dias melhores viram que tolice
É fazer a gente de otário
É xingar de analfabeto
É deixar a gente em uma má situação
O mundo é essa
Da Terra não sairá
O mundo somente é melhor somente quando falamos que melhorou, pois ao contrario já mais melhora.
Mundo melhor é pisar na terra e sentir o chão e o coração bater
Mundo que falamos para alguém que amamos, se é que existe.
Mundo ô doce mundo não haverás de melhorar e nem piorar
Mundo ô vasto mundo não sairás daqui nunca
Mundo ô doce mundo não trará nada no começo
Mundo ô vasto mundo sempre iremos pegar no meio tempo
O mundo sempre iremos pegar sempre no intervalo, ou então sempre iremos pegar no segundo tempo, ou então no final dos segundo tempo.
Então teremos que pegar a pelota por ela no meio do gramado e dar continuidade da jogada
Marcar o maior número de gols possíveis
Tirara a pelaja da trave
Nós somos os onze jogares dentro do gol
O mundo é pura besteira
O mundo é este e pronto

Luís Antonio Padovani
Escrito na página 5/12/1986

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Aproveite melhor

Nos dias de carnaval quando eu olho para os outros
Eu penso que idiotas são essas pessoas que pulam de um lado para outro de um jeito que é um jeito nenhum
Não segue nenhum ritmo
Não tem nenhum objetivo
A não ser pular e encher a cara de álcool
Uma música tão alta que sequer da para ser ouvida
Para essas pessoas isso não importa
Para eles o carnaval é diversão
É alegria
No carnaval cada um dos carnavalescos pula do jeito que se sentirem bem
O carnaval e a expressão de um povo
O carnaval é a explosão da felicidade
Não importa o modo como se diverte
Mas, sim se divertir.
Depois do carnaval a vida volta ao normal
E o carnaval que se brincou já passou
E a solução é esperar ao carnaval do ano que vem
No carnaval o que vale é amar
O carnaval e as suas fantasias
Não interessa como se divertir
O que realmente interessa é se divertir
A palavra de ordem para todos os foliões é divertir
Divertir-se como pode
E também como gosta.

Luís Antonio Padovani
Escrito na página 5/12/1986

Ficar na ilusão

Eu não vivo de glórias
Eu não vivo de meu passado
Eu procuro fazer mais e mais
Eu procuro deixar o passado de escanteio
Eu procuro lembra-lo para não esquecer de onde eu vim
Eu não procuro remonta-lo
Porque o passado não pode ser mudado
Eu vivo das lembranças para fortalecer-me
O passado não me alcança
Porque o eu vivo do presente para construir o futuro
O passado só serve de reverência para que eu não repita os erros
Eu quero me esquece do meu passado
O futuro está por acontecer
O presente é o mais certo dos tempos.

Luís Antonio Padovani
Escrito na página 5/12/1986

Liberdade antes que depois será tarde

Aos burros e conformados
São a eles que devemos agradecer este país que temos
Pois todo povo tem o governo que merece
Ao darei a culpa ao governo
E sim dou a culpa ao povo
Ao povo que não olha o seu país
Ao povo que não vê que é roubado
Ao povo que cruza os braços
Ao povo que admite ser explorado
Ao povo que hoje diz sim
Eu culpo a eles pelas escolhas feitas por eles
Eu o culpo por servir ao país de uma maneira servil
Um povo com muito medo do governo
E esse povo que acredita em superstições
O que é superstição
É algo que alguém explica por alguma coisa inexplicável
A feitiçaria é uma dessas explicações
Curas e milagres
É sensação de uma galinha preta
Ao povo que morre de cirrose em virtude da bebida ou de drogas injetáveis
Usadas com belacodid e testeterona
Ao povo que deixa a sua cura desaparecer

Luis Antonio Padovani
Escrito na página 5/12/1986

Pode se explicar

I

Não dizer a verdade e não mentir são as mesmas coisas
Ocultar aquilo que realmente acontece o que é
Ocultar não é mentir
Ou mentir é falar coisas falsas

II

No meu ver
Mentir é caluniar
Ocultar é não contar
Como aquelas histórias infantis que nunca foram contadas
As pessoas mentem por que não contam
As mentiras se fazem com as palavras
Falar é um gesto com as cordas vocais.

Luís Antonio Padovani
Escrito na página 5/12/1986

Gato na pia

Em Pirajuí tem uma cachorrada e uns gatos
Os gatos não da criação da chácara
Os gatos vêm de todos os lados de Pirajuí
E a dona Isaura, a minha avó trata deles.
Por lá eles ficam e criam as suas famílias
Sem ser preso a ninguém
Eles têm toda liberdade de ir e vir
Mas eles vêm sempre para matar a fome
Andam por toda parte da chácara
Mas um dia eu olhei espantado quando eu vi um deles em uma das pias da casa principal
Belo e folgado comia um resto de comida que por uma acaso alguém deixo em cima da pia
É só que faltava em ver isso em minha vida

Luís Antonio Padovani
Escrito na página 5/12/1986

Pessoas que não entram comigo

Os mojimirianos são pessoas que não entram comigo em minha casa
Não minha casa não
Não comigo a conduzir
Na mão outros talvez
Que eu não descortês
Mas bastam uns cinco minutos dentro da casa que eu saia para um outro lugar
Por que fazer a sala eu já fiz
E é a minha parte de um ser educado
A liberdade é que mais preciso
Os mojimirianos não merecem nem um pouco de atenção
Eles me causam uma enorme tensão
Por eles fazerem tudo por tras
E não sabe onde fica a frente
Ataca um individuo por perturbação da paz
Não sabe ver alguém quieto que quer mexer
Eles gostam de mexer em cacho de marimbondo
Eu desconfio que eles gostem de levar picada
Eu confio em poucos, mas eu não deveria.
Eu duvido de noventa por cento do que eles falam
Os mojimirianos a mim não despertam nenhuma esperança
Eles falam e eu não escuto
Por falarem sempre as mesmas coisas
Em geral falam de assuntos que não me interessa
Eles pensam que é a verdade do mundo
Eles não admitem serem contrariados
É o dono do mundo.
Luís Antonio Padovani
Escrito na página 5/12/1986

Barulho no quintal

Tem uma coisa estranha no quintal da chácara cantinho do nono
Alguma coisa que eu não sei o que é
Só sei que é alguma coisa que me incomoda
Eu de dentro da casa em meu quarto
Acordo com uma sinfonia irritante
Não é nenhum rádio ligado
Não é nenhuma televisão ligada
Não é barulho de sapo, rã ou perereca.
Só sei que eu acordei por causa dele
E assim que eu acordei eu logo associei ao Juruna e a Babucha
Que bom que são eles
Poderia ser uma coisa bem pior

Luís Antonio Padovani
Escrito na página 5/12/1986
Juruna é o cachorro da minha tia Doracy Negrisoli
Babucha e a cadela da mesma tia

domingo, 21 de outubro de 2012

Amadorismo

I

Brasil e Equador
Se o Brasil ganhar
Ele vai sair na frente
Vai sair do zero
E vai fazer um à zero

II

O Brasil vez pela primeira vez que tinha que ser feitos em outras olimpíadas
E isso não é nenhuma piada
Colocar jogadores profissionais para atuar no evento
Já que todos os paises colocam
Porque o Brasil não coloca
Já faz algum tempo que as olimpíadas deixaram de ser uma competição para amadores
O emprego de atletas profissionais tem que enxertado
Fazer uso de uma ideologia é errado
Já que outros não fazem
Todos os paises utilizam profissionais
Se o Brasil se classificar irá fazer um papel bonito
É somente ver para dizer
Minha pátria canarinho
Minha pátria verde e amarela

Luís Antonio Padovani
Escrito na página 5/12/1986

Cada conto aumenta um conto

I

Um conto contado de uma família
Um conto enfraquece uma família
Um conto é contado dentro de uma família
Outros vão ficar curiosos

II

Em casca de tartaruga não entra chuva
Um conto deixa uma família vulnerável
Um conto deixa uma família na boca do povo


III

Uma família não pode ficar
Família é família
Uma família é uma unidade e não uma fração
Uma família é para ser amada pelos seus membros
E por eles tudo fazer
Uma família é como a casca da tartaruga
Ela tem que ser bem guardada
A casa da gente é a casaca da tartaruga


Luís Antonio Padovani
Escrito na página 5/12/1986

Não é orgulho

I

Eu quando eu gosto, eu gosto.
Eu faço de tudo para ver quem eu gosto feliz
Dou-lhe conselhos
Faço o que estiver ao meu alcance
Salve, salve a simpatia.
A simpatia não é imposta é adquirida com o passar do tempo
Conduzir as vidas juntas
Contar piadas
Ir ao botequim
Jogar conversas fora
Beber alguma coisa sem reparar que cada tome
Beliscar um aperitivo ali
Um aperitivo ali
Dessa maneira seremos felizes
Mas quando eu não gosto é difícil de eu gostar
É quando eu sou infeliz
O jeito nesse caso é rir do absurdo
Caminhar para a tranquilidade

II

Bem eu já sei que eu sou assim
Para mim pau é pau
Pedra é pedra
Existem diferenças fundamentais
Existe isto em mim
Sou radical sim
Se for fazer mal para mim algumas vezes eu perdôo
Mas se passar do limite da tolerância é muito difícil
Meu caro é difícil viver assim
Penso eu que é complicado
Eu não gosto de ouvir besteiras e nem conversa de vida alheias
E muitos não sabem disso
E muitos não me conhecem
E muitos não exploram que eu tenho de melhor
Meu Deus o que é isso
E é por causa de muitos porcos

Luís Antonio Padovani
Escrito na página 5/12/1986

Assim terá de ser

I

Fora da minha cabeça
Eu vou sempre mandar embora
Eu vou dizer vai procurar a tua turma
Lamentável comentar
Para mim mojimiriano nenhum presta
Porque eles querem dirigir a minha vida
Fazer da minha vida um inferno
Eles querem que eu faça o que eu não quero fazer
Eles querem que eu siga a carreira da minha mãe para isso eles buzinam nos meus tímpanos que a minha é professora
Essas pessoas não sabem que eu sei
Não viveram que eu vivi
E por isso eles não podem afirmar nada absolutamente nada a meu respeito

II

Opinar por exemplo se vou ficar em Moji Mirim ou em Pirajuí
Eu devo ficar onde eu me sinto melhor
Onde eu tenho mais liberdade
A implicação com a minha pessoa são totais.
Palpitam a calça que eu devo vestir, o calçado que eu devo por, se eu tenho que tomar café ou não se é com açúcar ou sem açúcar se eu tenho comer mostarda ou não.
Querem mandar no meu modo de agir e no meu gosto
Por mais que eu diga que eu não gosto de mostarda porque o sabor dela não me agrada insistem em dizer que a mostarda é um tempero só que o meu palato não quer saber disso
Eu quero que me deixem em paz para todo o sempre
Eu quero ter a minha liberdade para fazer o que eu quiser e não o que os outros querem
Como eu digo de palpiteiro está cheio e não resolvem nada
Bem parece pirraça de criança
Mas isso não é manha
Isso é individualidade
Que faz parte da identidade de cada um
Essas pessoas fazem-me um favor de não encher os picuás
Deixem-me em paz
Deixem-me livre.

Luís Antonio Padovani
Escrito na página 5/12/1986

Fica sossegado

I

Eu sou eu mais eu
Quem sempre pensa nisto é egoísta
Eu não penso nisto
Mas é o pensamento de muitos que por passaram
Que tentaram persuadir-me para que eu use drogas
Um fuminho para sustentar um dodge dart pelo amor de Deus
Um fuminho não faz mal
Dois tão poucos
Três idem
Quatro nem sente
No quinto
No sexto
No sétimo
No oitavo já acostumou e entrou na ruína
Mas dessa eu escapei
Não foi um cigarro de maconha que fez que eu mudasse de cigarro
Aqueles que tentam empurrar larica para mim não vão me fazer mal
Eu assisti a uma palestra com o delegado de policia Cyro Vidal Soares da Silva na Escola Estadual de Primeiro e segundo graus “Monsenhor Nora” em seu auditório onde ele detalhou sobre todas as drogas os efeitos e os artigos e parágrafos das leis e os seus efeitos
Por conta de uma plantação de maconha na praça principal Rui Barbosa
E eu vou continuar a fumar Marboro, Hollywood, Minister.
Que são drogas, mas bem menos nocivas a maconha.
Já desejei uma cura de alguém
Mas esse mal nem tem cura
Se esse alguém não desejar
Esse mal é uma praga

II

Eu sou eu mais eu
E o resto é nada
Coisa feia
Algumas pessoas pensam assim
Eu não topo com nenhuma delas
Apesar de saber um pouco de sua língua

III

Em Moji Mirim pensa assim
Para mim é um lugar muito estranho
E eu não quero fazer ninho
Eu não quero trocar carinho
Eu não quero pegar em um carrinho
Eu não quero fazer balançinho em meu colinho
Eu defendo a democracia e eles exercem a ditadura.

Luís Antonio Padovani
Escrito na página 5/12~1986


sábado, 20 de outubro de 2012

Educação

Eu gosto
É bom
Cabe em qualquer lugar
E não ocupa espaço
Se não ganha nada
Pelo menos não perde
Conversar com alguém educada é uma conversa
Conversar com alguém mal educado é uma outra conversa
O educado tem limite
O educado convence com argumentação
Sabe colocar as palavras
O mal educado não sabe comportar
Sempre que quer impor a sua vontade altera o tom de voz
Como diria os antigos perde as estribeiras
Ou ainda roda as baianas
O educado sempre dá bom dia, boa tarde e boa noite.
Que o dia seja bom
Que a tarde seja boa
Que a noite seja boa
Que durma bem
E que tenha um bom sono
E que tenha bons sonhos
É o principio da boa educação.

Luís Antonio Padovani
20/10/2012

Onde sempre morei

I

Eu morar em Moji Mirim!!!
Deus me livre de uma desgraça destas
Eu não quero me misturar com essas pessoas
Eu não tenho tempo para isso
As mulheres de Moji Mirim não são o meu tipo
Em Moji Mirim eu não me encontro
Eu quero encontrar um lugar que eu me encontre
Eu quero ir perto de mim

II

Sim perto de mim
Para aproveitar melhor o meu tempo
Sair um bocadinho à noite
Ter respostas razoáveis
Ver em fim uma civilização
Deixar os brutamontes de lado
Deixar de brigar verbalmente
Ver o mundo caminhar sem ferimentos

III

Entrar em um mundo de verdade
Onde com calma tudo se resolve
Porque o tempo divide em opiniões
As pessoas falam somente aquilo que ouvem
Os assuntos importantes que um profissional fala
Somente eles são impressos e passados de geração para geração
E os temas inúteis são esquecidos

Luís Antonio Padovani
Escrito na página 5/12/1986

Estado de espírito

Carnaval é uma festa
Uma festa popular
Onde o povo brinca
E eu estou triste
O povo canta
E eu estou triste
O povo todo se excede
E eu estou triste
O povo todo nas ruas
E eu estou triste
Eu estou em Moji Mirim
Eu penso em um dia em que eu não estaria nela
Para mim vai ser um dia muito especial
Porque vai ser o dia em que eu irei fazer o que eu bem entender
O dia em que os meus familiares entenderem que o meu lugar não é em Moji Mirim
Porque em Moji Mirim eu não encontro ambiente para que eu me socialize
E por esse motivo eu não me sinto nada a vontade nela
E a conclusão que eu chego é que eu vou ter buscar a mina própria felicidade
Em uma outra cidade
Porque a minha alegria tem que aparecer
Ela tem que voltar
Em um dia se Deus quiser está perto
Em vou para uma cidade para ficar e nunca mais voltar
Para ter o meu lugar
Lugar onde eu irei ter a minha família
Fazer a minha vida
E lugar para as exceções serem felizes
Para não ter nenhuma pessoa excluída

Luís Antonio Padovani
Escrito na página 5/12/1986

Quem que o que

I

De Moji Mirim eu quero somente a estrada
Em Moji Mirim eu sou estragado
Eu sou tratado como qualquer
Um ser sem nenhuma importância
Um ser descartável
Com a minha presença
Ou sem a minha presença a população vai crescer
Já que eu não o único homem da cidade
As mulheres podem escolher
E nesta escolha elas preverem os beberões
Elas alegam que querem uma companhia para beber
E como eu não posso beber
Eu fico assim
Com um desejo enorme de ir embora
E nunca mais voltar
Deixá-los viverem as suas vidas
E eu viver a minha
Proposta nada ruim
Eu quero saber o dia em que vai acontecer
Neste dia eu vou agradecer
Que bom seria se mojimiriano fosse passado

II

Existem aquelas pessoas que pensam
Ele vai voltar para família
Mas a minha família eu vou ver
Vou ver em um grande oceano
Numa praia
Em um algum lugar
Em umas férias
Em algum lugar do meu serviço
A minha família eu vou criar
Porque a que eu tenho
Bom, é melhor nem comentar.
Diz para virar que eu não quadrado
Diz que eu tenho mania de perseguição

Luís Antonio Padovani
Escrito na página 5/12/1986
Beberão gira que quer dizer aquele que bebe bebidas alcoólicas em demasia

Harmonia pueril

Crianças sobem em arvores
Crianças sobem em cama
Crianças sobem e descem
Brincam em ser Zico, Branco, Adílio, Jorge Mendonça, Sócrates.
Brincam de futebol
Tem um sonho
Um dia querem ser craques
Um mundo particular
Um mundo das crianças
Uma época que todas as fantasias têm direito
Essa beleza se dá enquanto é criança
Porque depois que vira adulto o bicho pega
E todas as fantasias são perdidas.

Luís Antonio Padovani
Escrito na página 5/12/1986

Brincando de fantasia

Fantasia de sheik
Fantasia de bruxas
Fantasia de índio
Fantasia de fantasma
Fantasia de short, meias camiseta e tênis.
Blocos de todos os tipos
E um em particular
O bloco do eu sozinho
O bloco de quem não tem bloco
O bloco de quem quer pular e não encontra alguém para pular
O bloco de quem n”eu não estou nem aí para o que os outros pensam”
O bloco de quem quer somente pular
Um carnaval em clubes é assim que acontece
Todos querem ser alegres
Sozinhos ou acompanhados
A alegria é pulara carnaval
Pular até a última nota
Tam, nam, nam nam, nam.
O ultimo acorde do “já chegou à hora”
O carnaval é uma festa que repete todos os anos
Todos fazem sempre as mesmas coisas
Pular, pular, pular.
Pular até a exaustão
Uma festa que uma beleza
Carnaval uma coisa brasileira
O brasileiro tem o coração carnavalesco
Amar, amar, amar.

Luís Antonio Padovani
Escrito na página 5/12/1986

Olha para quem olha você

I

Uma gente malta que somente vê para crê
Perturba-me há todos os instantes
Por viver sempre a me convidar para tomar cerveja
E por mais que eu as explique não assimilam
Isso torna a minha vida insuportavelmente repetitiva
Eu não sei como elas aguentam ser tão recorrente
Uma gente que eu penso ser americanizada
Porque tudo o que elas querem fazer são do estilo dos Estados Unidos
Os mojimirianos vivem somente para si
De si para si
Eles querem resolver os seus problemas
Bem, os dos outros.
Deixa para lá são os problemas dos outros

II

Uma cidade que faz que eu pense que família não é uma unidade
Família já não família
Porque família no meu modo de ver tem que ser uma unidade
Uma família não pode ser fragmentada
Senão não é família
É um amontoado de gente
Influenciado por outros os membros da minha família não luta pelos seus próprios membros
Uma família que vive na mesma casa, mas não no mesmo teto.
Aqui é cada um para si e Deus por todos
Dentro da canoa salve quem poder
Dentro do horizonte discorda
Vida familiar eu não tenho
Nenhum membro da minha família sai comigo para tomar sorvete
Ir para algum restaurante almoçar, jantar em um domingo qualquer.
Todos têm vergonha da sair comigo
Todos pensam que eu não tenho futuro
Como será o futuro do Guilherme
Como será o futuro do Junior
Como será o futuro da Renata
Será que eles passaram apertados
Eu vou ter que ajudar ou ser ajudado
O futuro é incerto
A solução é viver o presente
Mas se eu for cair na miséria
Tomara que não
Será que eu terei uma mão me dar
Os mojimirianos não
Por serem eles alcoviteiros e alcoólatras
Eles são ajudam quem toma cerveja
Eles vão rir de mim e não vão me ajudar.

Luís Antonio Padovani
Escrito na página 15/12/1986
1983/1984

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Nariz tapado

Que chuva em
Eu digo isso quando eu fico nervoso
Eu quero falar algo e ninguém quer me escutar
Eu falo quando eu quero desfiar um assunto que eu não quero ouvir
Se realmente chove ou não
Este é um outro problema
O meu problema é ser escutado
Mas parece que ninguém quer me escutar
Eu falo de um modo muito fanhoso
Que é para ninguém me entender
E depois falar o que realmente eu quero falar
Eu satirizo a chuva
Que chuva em
Porque me impede sair
A chuva é muito boa
Ela é necessária
As chuvas são bem intencionais
As intenções dela é de segunda, terceira, quarta.

Luís Antonio Padovani
Escrito na página 6/12/1986

Um dia sim um dia talvez

Se alguém vier falar para mim que odeia uma pessoa vá lá
Odiar duas, três ou quatro eu até vou compreender.
Odiar uma cidade
Eu não compreendo
Eu não posso admitir
Mas eu odeio
Todos sabem que é Moji Mirim
Para o meu o seu nome é o mesmo que um palavrão
Para mim todos os moradores são feios
É símbolo da impureza
É símbolo do colonialismo
Seja qual for eu não admito
Seja qual for eu não vou me curvar
É o símbolo do colonialismo
Não dá para entender
Unir os oprimidos será o fim do colonialismo

Luís Antonio Padovani
Escrito na página 6/12/1986

Fragmento é assim

O coleguismo surge quando um ser não gosto do ambiente
O coleguismo é quando ao aluno tem amizade somente quando estuda em sua classe
Também pode ser quando um ser desconfia dos outro ser
O pode ser assim
Um ser se reserva para depois jogar
Mostrar-se amigo
O segundo tranquiliza e depois se revela
O terceiro desconfia e depois vai conversar
Quando finalmente fica nervoso depois se acalma
O coleguismo se á quando alguém precisa de algo que alguém tem e lhe sirva para aquele momento
Isso é coleguismo
Que mais tarde pode se transformar em amizade
E mais ainda em um confidente
É aquele que mais se confia
É o seu amigo do peito.

Luís Antonio Padovani
Escrito na página 6/12/1986

Amadureça

I

Perturbar-me toda a minha vida
Com as basbaquices que Mojimiriano pensa
Basbaquices que Mojimiriano pensa
É uma ideia que me pertuba
Eu preciso dizer a eles cresce e apreça
Muito embora eles não vão entender o que isso significa
Mas para mim pouca me importa
O que importa é eu sei
Evoluir para poder crescer
E é profundamente lamentável que todos metem o bedelho onde não é chamado
Intrometer-se na vida alheia é o que mais sabem fazer
Se cada cuidasse de sua vida
A vida seria melhor
Eu por exemplo fico na minha
E eu gostaria que todos ficassem na sua

II

Agora eu vou falar algo
É uma grande amolação essa atitude
Cuidar da vida dos outros
Cuidar da sua vida seria bem melhor
Deixar cada um cuidar de sua vida é bem interessante
E é por isso que eu quero sumir de Moji Mirim
O que mais me resta
Ir ficar longe
Bem longe
Bem distante
E preservar a minha saúde


Luís Antonio Padovani
Escrito na página 6/12/1986
Cresça e apareça expressão idiomática que significa crescer nas atitudes que tomam na vida