I
Mocinho e bandido
Parece que é até um filme de faroeste
Onde tudo termina em duelar
Ou uma novela
Onde tem o vilão e a vilã
O mocinho e a mocinha
Onde os vilões se dão mal
E os mocinhos se dão bem
Só que a vida não é assim
A vida não dividida entre esses personagens
A vida é bem mais complexa
Cada um escolhe a sua arma
E a minha já foi escolhida
A minha é a palavra
Que mata, mas não fere.
Uma palavra mata muito mais do que um médico
Uma palavra é algo muito sério
Saber escrever não somente saber escrever
Saber escrever é saber dar sentido nas palavras
Como coloca-las nos textos
Dar sentido nelas
Por que uma palavra solta não significado nenhum
Mas dependendo de onde é colocada no texto ela faz todas as diferenças
II
E agora eu vou dizer o que eu penso desse povo
E o que mojimiriano pensa de mim
O pensamento é que todos são bandidos
Todos são vilões
Todos são maus caracteres
Todos são inescrupulosos
É assim que eu os vejo
E assim que eles me vejam
É assim que eu os encaro
É assim que eles me encaram
Porque nenhum presta.
Luís Antonio Padovani
Escrito na página 23/4/1987
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