Uma gente malta que somente vê para crê
Perturba-me há todos os instantes
Por viver sempre a me convidar para tomar cerveja
E por mais que eu as explique não assimilam
Isso torna a minha vida insuportavelmente repetitiva
Eu não sei como elas aguentam ser tão recorrente
Uma gente que eu penso ser americanizada
Porque tudo o que elas querem fazer são do estilo dos
Estados Unidos
Os mojimirianos vivem somente para si
De si para si
Eles querem resolver os seus problemas
Bem, os dos outros.
Deixa para lá são os problemas dos outros
II
Uma cidade que faz que eu pense que família não é uma
unidade
Família já não família
Porque família no meu modo de ver tem que ser uma unidade
Uma família não pode ser fragmentada
Senão não é família
É um amontoado de gente
Influenciado por outros os membros da minha família não luta
pelos seus próprios membros
Uma família que vive na mesma casa, mas não no mesmo teto.
Aqui é cada um para si e Deus por todos
Dentro da canoa salve quem poder
Dentro do horizonte discorda
Vida familiar eu não tenho
Nenhum membro da minha família sai comigo para tomar sorvete
Ir para algum restaurante almoçar, jantar em um domingo
qualquer.
Todos têm vergonha da sair comigo
Todos pensam que eu não tenho futuro
Como será o futuro do Guilherme
Como será o futuro do Junior
Como será o futuro da Renata
Será que eles passaram apertados
Eu vou ter que ajudar ou ser ajudado
O futuro é incerto
A solução é viver o presente
Mas se eu for cair na miséria
Tomara que não
Será que eu terei uma mão me dar
Os mojimirianos não
Por serem eles alcoviteiros e alcoólatras
Eles são ajudam quem toma cerveja
Eles vão rir de mim e não vão me ajudar.
Luís Antonio Padovani
Escrito na página 15/12/1986
1983/1984
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