Sem importar a direção
O que eles querem é achar um palhaço
Para risos dar a ele
Porque a vida não pode passar sem dar uma risadinha
Tirar uma casquinha de alguém
Então eles vêm a mim dizem coisas
Pensam que eu creio
E deixo que isso aconteça
Para ver-lhes felizes
E também
Somente assim eles vão pensar que eu acreditei
Mas eu não acreditei
Tudo o que eu ouço é uma enorme basbaquice
Que na esquina seguinte já me esqueci
É tudo fruto de uma cabeça
De uma cabeça de ameba
Uma cabeça que não pensa
Não tem cabeça
Nada adianta eu falar
Eles não escutam e não vejam
Um fato que eu já pedi é para dar uma cabeça a eles
Que não seja a cabeça de jerico
Mas pensar é um assunto que não vão executar
Pensar dói
E uma outra coisa
Ajudar a mim isso não vai acontecer
É desta cidade eu tenho que locomover
Ir a um outro lugar
Pirajuí por exemplo
Onde eu poderei ter um escritório de contabilidade
E escrever somente para me distrair
É o que acontece no momento
Escrevo somente para tirar os nervos
Nada de profissional
Uma coisa somente minha
Que ninguém vai saber
Porque eu não vou contar
Porque a minha profissão é técnico em contabilidade
E a minha função é fazer contabilidade dos outros e não
fazer poesia ou qualquer outra coisa
Luís Antonio Padovani
Escrito na página 6/12/1986
Nenhum comentário:
Postar um comentário