sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Um país de muitas histórias

Brasil
Brasil é o meu nome
Fui descoberto em 1500
Foi no estado da Bahia
Foram os portugueses ou espanhóis?
Ninguém sabe
O fato foi que os portugueses me colonizaram
Demoraram trinta anos para me colonizar
Depois de cinquenta anos fiquei para os espanhóis
Uma vez que as coroas portuguesas e espanholas se uniram
Uniram-se não por vontade, mas,
Mas foi por falta de herdeiros portugueses
Em 1640 os portugueses recobraram os direitos sobre mim
Tive invasões holandesas e francesas
Mas nenhum me conquistou
Então a minha língua oficial é a portuguesa
No século dezoito vi um enfocado, pois,
Pois ele queria me libertar
Ele era conhecido como Tiradentes
Ele era mineiro de Vila Rica
Mas a sua luta não foi em vão, pois,
Pois os brasileiros continuaram a querer a minha independência
E assim aconteceu em 1822
Com um português chamado Pedro
Que com um grito
Gritou independência ou morte
Ele havia vindo com a família de Portugal ano de 1808, pois,
Pois, Napoleão havia invadido a Europa.
D. João VI, seu pai, fugiu para cá.
Depôs da independência veio à primeira constituição
Instaram em mim o império
Depois, ao ano de 1889, virei república.
Republica que conheceu a ditadura
Conheceu Getúlio Vargas
O seu governo durou quinze anos
Depois vi a democracia
Vi a democracia de Getúlio Vargas
Mais tarde eu conheci uma revolução que
Que de novo me impôs a ditadura
Mas que durou vinte e um anos
Pois, um homem chamado Tancredo de Almeida Neves candidatou-se a presidência,
Ele se elegeu em um colégio eleitoral
E a democracia voltou
Este homem era mineiro
O ano em que ele se elegeu 1985.
Foi o ano em que ele morreu
E o seu vice Sarney, ficou.
Ficou como presidente
E foi quem mudou a minha moeda
Que era cruzeiro passou para cruzado
E no governo dele
Eu vou ter uma outra constituição
Esta a qual terá representantes eleitos pelo povo
Eles são quem darão uma nova lei para mim
Então por favor, eleitores elejam homens certos.
Para não repetir erros do passado
Que me deram ditaduras
Deram-me constituições sem consulta popular
Elas foram às de 1937, 1967 e 1969.
Então eu peço mais uma vez
Elejam homens certos
Eu quero continuar sendo democrata
Eu quero que o povo continue falando
Falando que quer
Onde quer
Como quer
Eu quero ser livre
Eu quero que a vontade de Tiradentes e Tancredo se concretize
Eu quero para sempre ser democrata
“Libertas que será tamem"
Democracia ante que tarde
É o meu desejo

Luís Antonio Padovani
Escrito na página 27/11/1986
Texto  revisado pelo professor de história e vereador Massao Hito
 Publicado no livro Máquina
Editora João Scortecci
Cidade São Paulo
Ano 1993

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