Pediu não dar bola mim
Deixar-me correr era a sua meta
Porque o seu pai fora goleiro
E nada conseguiu
Mas uma coisa que ele não sabe é que no tempo de meu avô o futebol
era amador
Nos dias de hoje mudou
Mas isso não entra na cabeça dele
E o que ele quer é que eu trabalhe na loja de móveis dele
O meu pai é alguém que conseguiu alguma coisa na vida por causa
do comércio
Muito embora a minha mãe e as minhas tias irmãs dela não admitem
Mas isso são coisas da vida
Que eu digo de passagem não vai dar em nada
O meu pai é um obstáculo para que eu jogue futebol
E por esse jogo de quebra de braço sou eu quem vai dar mal
E por aonde eu vou ele fala que eu não quero trabalhar
Porque os nossos interesses entram em conflito
Ele não sabe que eu sou técnico em contabilidade
E por isso vive em luta contra mim mesmo
Ora eu quero ajudá-lo
Mas eu quero que ele me ensine a contabilidade da firma
Mas ele não quer me entender
O meu pai insiste em dar a contabilidade ao Nicanor
Porque ele nunca acompanhou o meu crescimento
Porque ele presta mais atenção nos outros do que no seu próprio
filho
Sim ele erra, mas pode acertar.
Eu não ligo para que mojimiriano pense.
Se é que pensa.
Luís Antonio Padovani
Escrito na página 28/11/1986
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