Eu me conheço
Ela fala que me conhece
Ela fala vira-se que não é quadrado
Chama-me de meu bem
Fala que a minha mãe me ama
Trata-me como eu fosse uma criança
Pergunta-me se eu quero ser professor
Porque você não faz letras
Porque você não faz magistério
Mostra-me a escola que a minha mãe fez magistério
Enaltece o professor e desprestigia as outras carreiras
E eu respondo sempre que me dão me oportunidade
Eu não tenho paciênica
Nem minha lesão do pé direito elas não enxergam
Mesmo sendo visível
Todas não veem que eu não consigo que eu não consigo levantar o pé direito
Ando com ele a arrastar
Eu não sei qual é a graça dessa conversa
Porem eu tenho que tolerar sempre a mesma situação
Que eu agora eu descrevo
Cololca-me em uma roda onde a conversa gira em torno de escola
Na sala de visitas da Chácara Canitinho do Nono
Onde elas ficam de costas para a janela e eu de frente delas
Uma conversa que me dá sono
E elas nem percebem
Continuam a falar
Não me deixam falar.
Luís Antonio Padovani
17/2/1996
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