I
Foi você que criou este estado de coisa
Que coisa?
Da sua omissão de socorro quando eu
pedia socorro
Socorro!!!
Eu suplicava, explicava
Nada
Tal um peixe na água
Nada
Da sua inércia ou osmose
Depende da matéria
Mas o conteúdo não foi o suficiente para
evitar a catástrofe
Você que gaba de deter todos os
conhecimentos
Não foi o suficiente na hora decisiva
Teve que arcar tudo sozinha
II
Falar, falar, falar, falava
Atormentava a minha ideia com as suas neuroses
No momento do almoço dominical, procurava
explicar
Quando perguntava de namorada eu introduzia
três, Tirapelle, Rosangela, que eu pretendia dar um Boti, da Marina
Tudo que eu ouvia era que eu era mentiroso
III
Da sua ociosidade deu no que deu
A minha parte eu fiz
Procurar a Tirapelle no Bairro Maria Beatriz,
eu procurei
Telefonei para o celular dela
Ela atendia a ligação, mas era em vão
Não foram uma ou duas vezes, mais sim incontáveis
Ouvi de um cidadão local: - O que você quer
da Tirapelle
A resposta é tão obvia que eu não tive coragem
de responder
Eu quero o que todos os homens querem
Fazer filhinho
Imbecil
A Marina queria me retratar
Pedir desculpas
Pelo erro grosseiro cometido por mim ou pela
editora
Peço desculpas por ser muito desatencioso
Na hora da correção, não corrigi
Rosangela queria me aproximar, pois eu sei
que ela me quer bem
Explicado tudo mostra que toda ação tem um
resultado seja negativo ou positivo
Negar a inoperância é chover no molhado
O meu corpo bem sabe do resultado que poderia
ser evitado, mas como não foi
Procurar outro jeito é o jeito
Ainda bem que há outro jeito, senão estava
sem jeito.
Luís Antonio Padovani
05/11/2015
Chover no molhado é uma expressão idiomática.