quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Reclamar para a sombra

I

Foi você que criou este estado de coisa
Que coisa?
Da sua omissão de socorro quando eu pedia socorro
Socorro!!!
Eu suplicava, explicava
Nada
Tal um peixe na água
Nada
Da sua inércia ou osmose
Depende da matéria
Mas o conteúdo não foi o suficiente para evitar a catástrofe
Você que gaba de deter todos os conhecimentos
Não foi o suficiente na hora decisiva
Teve que arcar tudo sozinha

II

Falar, falar, falar, falava
Atormentava a minha ideia com as suas neuroses
No momento do almoço dominical, procurava explicar
Quando perguntava de namorada eu introduzia três, Tirapelle, Rosangela, que eu pretendia dar um Boti, da Marina
Tudo que eu ouvia era que eu era mentiroso

III

Da sua ociosidade deu no que deu
A minha parte eu fiz
Procurar a Tirapelle no Bairro Maria Beatriz, eu procurei
Telefonei para o celular dela
Ela atendia a ligação, mas era em vão
Não foram uma ou duas vezes, mais sim incontáveis
Ouvi de um cidadão local: - O que você quer da Tirapelle
A resposta é tão obvia que eu não tive coragem de responder
Eu quero o que todos os homens querem
Fazer filhinho
Imbecil
A Marina queria me retratar
Pedir desculpas
Pelo erro grosseiro cometido por mim ou pela editora
Peço desculpas por ser muito desatencioso
Na hora da correção, não corrigi
Rosangela queria me aproximar, pois eu sei que ela me quer bem
Explicado tudo mostra que toda ação tem um resultado seja negativo ou positivo
Negar a inoperância é chover no molhado
O meu corpo bem sabe do resultado que poderia ser evitado, mas como não foi
Procurar outro jeito é o jeito
Ainda bem que há outro jeito, senão estava sem jeito.

Luís Antonio Padovani
05/11/2015
Chover no molhado é uma expressão idiomática.

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