domingo, 2 de dezembro de 2012

Ficção

Sempre a espera de alguém
Qualquer otário
Qualquer um
Para pagar-lhes a conta do café, do salgado, do leite e do pão.
É assim que Mojimiriano funciona
Em canto qualquer da Praça Rui Barbosa ou da Rua Conde de Parnaíba ou da Rua Chico Venâncio
Sentados ou pé
Não importa como
Mas a procura de um otário que tenha dinheiro
Para proporcionar-lhes algum alimento ou bebida que para eles vão pagar
Pagar par encher o bucho
Não importa o que
Qualquer coisa
Elas são as piranhas que arranha o bolso do assalariado
Que na ilusão de acontecer qualquer coisa paga
Mas nada acontece
Mas o otário continua na ilusão
Porque é otário
E todo otário tem esperança
Esperança que alguma coisa vai acontecer.

Luís Antonio Padovani
16/5/1988

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