Eu não sou ninguém
É tudo mentira
Eu tenho um nome
Eu tenho uma família
Eu sou gente
Eu sou um pouco diferente
Mas isso não culpa minha
Eu uso óculos e daí
É o meu remédio para que eu enxergue
Algumas pessoas acham que é estranho
Eu já penso que é normal
Eu sou algo
Eu sou alguém
E eu tenho inteligência
Não é porque eu frequentei a APAE que eu deixei de ser
indigente
Eu tive problemas eu por lá eu os resolvi
Eu sou um cidadão normal e capaz
Eu capaz até de fazer filhos.
Luís Antonio Padovani
25/07/1988
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