segunda-feira, 19 de março de 2012

Não estou nem aí

I

Eu não tenho religião
Eu não gosto de futebol
Já tentei ser igual a todos
Mas não consegui
No começo quando me perguntava na escola Dr Oscar Rodriguês Alves que time eu torcia eu respondia pelo Moji Mirim.
Nem sabia que tinha a equipe
Eu falava porque eu morava em Moji Mirim
Falava que torcia em forma de deboche
Notava que os colegas desconheciam tal equipe e por isso passei a responder que torcia pelo Santos.
Das conguistas dele eu nem sabia
Até fui levado a Campinas para assistir um Guarani e Santos pelo tio David, irmão da minha mãe.
O negão jogava bola mesmo:
Para ser igual a ele tem que fazer o que ele fez
Parar uma guerra
Expulsar o juiz
Ganhar três copas do mundo pelo Brasil
E de quebra mais dois títulos mundiais pelo Santos
E ainda mil duzentos e oitenta e um gols em mil trezentos e sessenta e três jogos
Mas como torcedor penso que é impossível

II

Religião fui a várias
Todas elas são iguais
O discurso é bonito
Mas na prática
Na hora do vamos ver
Nada absolutamente nada
Todas as religiões pregam a bondade
Mas os fieis não praticam
De nada uma religião
Se seus discípulos não mudam internamente
Os discursos são iguais
Só muda o rótulo da religião
Querem que eu seja igual a todos, mas eu não sou
Eu nasci para ser diferente
Eu nasci para ser criativo
Eu nasci para ser cauteloso
Alias para concluir
Eu não acredito em nada em que os mojimiriano fala
Eu escuto porque eu tenho ouvidos que escutam
Mas para mim esse povo
Nem cheira nem fede
Sem sal e sem açucar
Sem nehum tempero
É a mesma coisa que nada
Não vale uma pitada de sal
Converso com ele na rua
Porque eu não tenho outra coisa a fazer
Eu quero que eles se lixam
Será que pensa.

Luís Antonio Padovani
3/4/2005

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