I
Penso que eu fui condenado a nascer em
Mojimirim
Penso que eu fui condenado a morrer em
Mojimirim
Mojimirim representa a morte para mim
Uma rima infeliz que é verdade
Eu penso que família deveria ser feita como
os animais
Os filhos que completarem a alfabetização
básica têm que ser deixados à própria sorte
Mandar se virar
Deixá-los só
Para família fazer
Saber ler e escrever
Já sabe se virar
Dar os seus pulinhos para terminar o resto
do estado
Ser abanado no mundo
A sorte o educar
Família não faz sentido nenhum
Ter uma pra saber como é que é
Se não tê-la jamais saberá como é que é
O mundo é uma escola
As informações estão nos livros
Não são exclusividades das escolas
II
Na minha vida eu não tive vida
Eu não tive nada
Porque nada resolveram para mim
Preguei sempre em um deserto
Os problemas que eu tive, eu os relatei.
Providencia que é bom nada foi feita
Sempre eu tive uma vida jocosa
As pessoas que eu conheci foram somente
conhecidas
Por motivos tortos
Por uma cultura inútil
Por discursos que não levam do nada para
lugar nenhum
Por ideologias que não enchem a minha
barriga e que esvaziaram o meu cofre
III
Eu tive que conviver com pessoas que nunca
teve haver comigo
Sempre gostei de ler, escrever, desenhar,
fazer teatro.
Sempre quis fazer cultura
Sempre pratiquei esporte
Sempre quiseram que eu atuasse em escolas
Trabalhei em museu, horto florestal,
biblioteca e trabalho no transporte.
Por mais que eu tente mostrar, não querem
ver.
Por mais que seja visual, cegam.
IV
Por onde me encontravam sempre me
perguntavam
Porque eu não tenho namorada?
E esqueciam da minha saúde
Nunca me perguntavam o que eu tenho
O que aconteceu comigo
Eu sou tratado como um nada
Nada acontece comigo
Nada tenho
Uma triste sina
Que se eu não sair de Mojimirim não vai
mudar nada
Do mesmo modo que me ignoram, eu os ignoro.
Eu fui tratado como mentiroso, sem nunca ter
mentido.
Luís Antonio Padovani
27/04/2013