sexta-feira, 29 de novembro de 2024

Eu não crio nada alguém já criou

Eu só vou dar valor à quem me dá valor

Dessa história de dar valor a quem não me dá valor já estou saturado

Há muito tempo aqui em Ostranau é algo compulsivo

Virou uma bolha

Dessa casinha ninguém que sair

Há uma caverna que ninguém abdica

A silhueta é celebrada por todos

Em Dalimarca é diferente

Sempre recebi acolhimento, respeito e amizade.

Sempre me trataram de igual para igual

Não vi nada que me abonasse a minha moral

Andar por algumas horas por lá sinto um alivio

Parece que tiro um peso

É o peso do preconceito

Não é fácil carregar esse fado e culpado nem fui eu, e sim alguém fez o meu parto.

Eu não posso pagar pela incompetência dos outros

E quando retorno em Ostrannau é por falta de opção

O peso retorna

Eu sou um personagem imaginário

Eu sou vindo da cabeça de alguém

Eu não existo e os nomes das cidades são inventadas

E pelo motivo é que tudo tem que ter um nome

Sem ter nome não seria possível identificar nada

Eu preciso urgentemente de nomes para poder identificar tudo

E aqui me despeço.

 

Luís Antonio Padovani

30/11/2024

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