Eu só vou dar valor à quem me dá valor
Dessa história de dar valor a quem não me dá valor já estou saturado
Há muito tempo aqui em Ostranau é algo compulsivo
Virou uma bolha
Dessa casinha ninguém que sair
Há uma caverna que ninguém abdica
A silhueta é celebrada por todos
Em Dalimarca é diferente
Sempre recebi acolhimento, respeito e amizade.
Sempre me trataram de igual para igual
Não vi nada que me abonasse a minha moral
Andar por algumas horas por lá sinto um alivio
Parece que tiro um peso
É o peso do preconceito
Não é fácil carregar esse fado e culpado nem fui eu, e sim alguém fez o
meu parto.
Eu não posso pagar pela incompetência dos outros
E quando retorno em Ostrannau é por falta de opção
O peso retorna
Eu sou um personagem imaginário
Eu sou vindo da cabeça de alguém
Eu não existo e os nomes das cidades são inventadas
E pelo motivo é que tudo tem que ter um nome
Sem ter nome não seria possível identificar nada
Eu preciso urgentemente de nomes para poder identificar tudo
E aqui me despeço.
Luís Antonio Padovani
30/11/2024
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