quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Até quando vai durar isso

I

Eu não sei com eu posso dizer
Mesmo porque todas as vezes que tento dizer algo as pessoas se fazem de surdas
E para piorar a situação se fazem de cegas
Eu sou alguém que é ignorado
Eu estou em uma situação delicada
É uma história que é uma tragicomédia
É assim que eu defino a minha vida
Cheia de erros médicos
É como um erro justificasse outro
Não é por ai que tem que resolver os problemas

II

Uma infância agradável em Pirajuí
No Parque Clube de Pirajuí eu jogava tênis de mesa e nadava
No campo da mina da água e no campo da FEPASA eu jogava futebol com os meninos da minha idade
Depois eu mudei para Mojimirim e começaram os meus problemas
O convívio social quase não tinha
Tudo que pensavam era em zoar comigo
E como eu fosse uma comedia
E minha casa o meu irmão quando se exercitava com abdominais e eu me aproximava ele dizia abacaxi
A iminha irmã cantava ninguém me ama ninguém me quer
E perdia horário de ira para a escola quase todos os dias
A minha mãe me dizia eu não te ajudar
A minha alegria eram as férias escolares quando eu tinha oportunidade de sair de Mojimirim
Era para mim como eu tirasse um peso enorme
Em Pirajuí sempre me senti em casa
Sinto-me mais pirajuiense do que mojimiriano
Em Pirajuí eu passei muitas alegrias
Eu sou tratado como gente
Em Mojimirim somente decepções
As razões são simples, cerveja.
Em uma oportunidade eu fui convidado para ir a uma festa e nela eu fui convidado a me retirar
Sempre me senti um peixe fora da água
Nunca senti a mínima vontade de me aproximar de alguém
É como eu sempre digo eu uso repelente para mojimiriano
A minha identificação sempre foi com Moji Guaçu
Nela eu fiz teatro, participei de festas com sarau literário.
Participei da estrutura cultural
Baluarte, que hoje virou muitas coisas.
Tupec e a Academia de Letras comeram por ali
As minhas namoradas foram todas da cidade cerâmica
A minha vida social está toda ela na cidade do mandi
Eu não fiz escolha os guaçuanos me adotaram
Sempre me trataram com simpatia
Em Mojimirim quando eu tinha qualquer problema eu era ignorado
Até fratura exporta, eu tive.
E tudo que eu tive foi uma retirada de uma safena
Ligar para a minha tia de Pirajuí, eu liguei, só que ela não ligou para mim e dizia que eu tinha que procurar um médico vascular
O mesmo que a minha irmã dizia
Ajuda a Mojimirim eu dei
O centro cultural é ideia minha
Participei do consegue
E a contrapartida, nada.
Eu tirei a cidade do sapo de uma intervenção e que eu ganhei em troca, uma banana.
Se epiléptico em uma cidade de alcoólatras é impossível
É como se fosse um carro
Só funciona quando está alterado
Alegria é quando está alcoolizado
Muito embora algum tempo depois entra em depressão
Mesmo durante dez anos quando eu arrastava o pé direito eu tinha que ouvir tolices
A minha mãe sempre dizia que eu não tinha nada, e que eu tinha somente tamanho e safadeza.
O seu Zeca Adorno sempre perguntava se eu levava uma antena quando eu saia com o meu expositor para mostrar os meus livros na Praça Rui Barbosa
Ignorado pelo irmão e pela cunhada
Sempre perguntavam por que eu andava com o pé arrastado e com a mão direita eu socava a esquerda
Os meus problemas jamais quiseram resolver, sempre foram aumentados.
Sempre quiseram ler os meus livros sem pagar
Uma inspetora de alunos que eu mexi quando ela tinha três anos dentro de um circular e seu pai entrou em uma disputa de natação para tirar a minha medalha de bronze remoia sempre as história que falei para ela dançar a dança da garrafa quando ela tinha oito anos no grêmio
Até parece que foi somente eu que fez isso!!!
Eu hem
O corretor de imóveis não cumpriu o combinado e eu perdi a faculdade.

Luís Antonio Padovani
02/10/2013



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