terça-feira, 13 de novembro de 2012

Natureza morta

Eu estou a morrer
E ninguém me salve
Eu estou a morrer
De tanto lixo que jogam em mim
Eu estou a morrer
As minhas águas já não são claras
É uma pena
Que saudade eu tenho daquela água limpinha
Até os pescadores gostavam
Os peixes se viam aos montes
Eles pulavam de um lado ao outro da margem
Todo mundo que passava via
Era uma beleza
Eu estou a morrer
Dizem que é em nome do progresso
Eu não entendo
Porque não progredir sem me matar
Eu estou a morrer
E os peixes a se acabar.

Luís Antonio Padovani
02/03/1991

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