Manuel Carneiro
de Sousa Bandeira Filho nasceu no dia 19 de abril de 1886 no Recife,
Pernambuco.
Faleceu em 13 de
outubro de 1968 aos 82 anos no Rio de Janeiro.
Foi eleito
membro da Academia Brasileira de Letras em 1940.
Filho do
engenheiro Manuel Carneiro de Sousa Bandeira e de Francelina Ribeiro abastada
família de proprietários rurais, advogados e políticos.
Seu avô materno
Antônio José da Costa Ribeiro foi citado no poema “Evocação do Recife”.
Iniciou seus
estudos no Recife
Com 16 anos mudou
com a família para o Rio de Janeiro, concluiu o ensino médio no Colégio Pedro
II
Em 1903
ingressou na faculdade de arquitetura na Escola Politênica de São Paulo, não
conclui devido a problemas de saúde.
Sua obra é
recheada de lirismo poético.
O seu modo de
escrever era de versos livres, usava a linguagem coloquial da irreverência e da
liberdade criadora.
Explorava os
temas do cotidiano e melancolia.
Por intermédio
do amigo Ribeiro Couto conheceu os
escritores paulista que em 1922 lançaram o movimento moderno em 1922.
Revista
modernista Klaxon com o Poema Bonheur Lyrique.
Em 1922 levou o
poema “Os sapos” que foi lido por Ronald de Carvalho tumultuou o teatro municipal
com vaias e gritos. O poema satiriza os princípios parnasianismo, com deboche
agressivo dirigido à métrica
e a rima desses poetas.
Recebeu o premio da Sociedade Felipe d’Oliveira pelo
conjunto da obra em 1937 e o premio poesia do Instituto Brasileiro da Evolução e
Cultura, também pelo conjunto da obra em 1946.
Os Sapos
Enfunando os papos,
Saem da penumbra,
Aos pulos, os sapos.
A luz os deslumbra.
Em ronco que aterra,
Berra o sapo-boi:
- "Meu pai foi à guerra!"
- "Não foi!" - "Foi!" - "Não foi!".
O sapo-tanoeiro,
Parnasiano aguado,
Diz: - "Meu cancioneiro
É bem martelado.
Vede como primo
Em comer os hiatos!
Que arte! E nunca rimo
Os termos cognatos.
O meu verso é bom
Frumento sem joio.
Faço rimas com
Consoantes de apoio.
Vai por cinquüenta anos
Que lhes dei a norma:
Reduzi sem danos
A fôrmas a forma.
Clame a saparia
Em críticas céticas:
Não há mais poesia,
Mas há artes poéticas..."
Urra o sapo-boi:
- "Meu pai foi rei!"- "Foi!"
- "Não foi!" - "Foi!" - "Não foi!".
Brada em um assomo
O sapo-tanoeiro:
- A grande arte é como
Lavor de joalheiro.
Ou bem de estatuário.
Tudo quanto é belo,
Tudo quanto é vário,
Canta no martelo".
Outros, sapos-pipas
(Um mal em si cabe),
Falam pelas tripas,
- "Sei!" - "Não sabe!" - "Sabe!".
Longe dessa grita,
Lá onde mais densa
A noite infinita
Veste a sombra imensa;
Lá, fugido ao mundo,
Sem glória, sem fé,
No perau profundo
E solitário, é
Que soluças tu,
Transido de frio,
Sapo-cururu
Da beira do rio...
Desencanto [Manuel Bandeira]
Eu faço versos como quem chora
De desalento… de desencanto…
Fecha o meu livro, se por agora
Não tens motivo nenhum de pranto.
Meu verso é sangue. Volúpia ardente…
Tristeza esparsa… remorso vão…
Dói-me nas veias. Amargo e quente,
Cai, gota a gota, do coração.
E nestes versos de angústia rouca,
Assim dos lábios a vida corre,
Deixando um acre sabor na boca.
— Eu faço versos como quem morre.
(Teresópolis, 1912)
[A cinza das horas, 1917]
Manuel
Bandeira
Bonheur Lyrique
Coeur de phtisihque
O mon coeur lyrique
Ton bonheur ne peut pas être comme celui des autres
Il faut que tu te fabriques
Un bonheur unique
Un bonheur qui soit comme le piteus lustucru en chiffon
[d'une enfant pauvre
- Fait par elle-même.
Para Academia Guaçuana de Letras
06/05/2019