quinta-feira, 18 de outubro de 2012

O que vem a ser isso?

I

Para Moji Mirim não adianta trabalhar
Pois os moradores de lá vão tirar
Eles me incomodam
Eles dizer a verdade sendo mentira
Não dá para ter ânimo
Por quê?
O que produz vai à mão deles
A cidade é deles
Logo país
Agora nós estamos nas mãos deles
Enfim trabalhar assim não dá
Os pais deveriam dar conselhos aos filhos
Para não deixa-los desorientados
Afinal de contas os pais são para orientar
Os mojimirianos riam pelas costas
Eles não prestam
Eles são aproveitadores
Eles querem seu monopólio
Uma eles querem uma colônia nas America Latina
Os eles gostam de tirar o sangue de cada um dos seus cidadãos
São eles que vão dirigir os nossos destinos
Não obrigado neste dia eu não estarei neste mundo
E por fim eu quero um dia que um reaja
O que eles vão fazer.

II

Tudo o que eu ouço é quem não ajuda não atrapalha
E tudo o que eu vejo é somente pessoas que vem  a me atrapalhar
Ninguém a me ajudar
O que eu posso fazer
Sentar e chorar

Luís Antonio Padovani
Escrito na página 67/12/1986

Não ser ingênuo


 Capacidade de perceber uma coisa tão distante
Capacidade de viver
Viver não é para qualquer um
Capacidade de modificar
Capacidade de idealizar
Capacidade de se erguer
Essa capacidade hoje me dia tem que tê-la
É capacidade de ver o ódio
É um fogo vermelho do diabo
Que existe nas pessoas
Ódio
Inferno do amor
Uma nuvem branca
Uma nuvem de paz
A luz que transforma
A luz da felicidade
A luz da vida
A luz do nascimento
A origem de tudo
Capacidade é ficar bem perto de si
Conhecer a si próprio
Conviver com os outros é difícil
A capacidade
Que seria do mundo se não existisse
A capacidade de ver que alguém odeia
Não é bom
Mas já descobriram que alguém o odeia
E o que odeia?

Luís Antonio Padovani
Escrito na página 6/12/1986

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Mês de outono

Vai chover
Ou vai fazer sol de rachar mamona
São duas alternativas que o nordestino conhece
Ou chove demais e inunda tudo
Ou faz uma seca lasca e tudo se perde
A torcida do nordestino para o tempo ficar escuro é imenso
Porque ele pensa na recompensa de colher a safra
De ter o seu lucro
De ter o seu sustento
De olho nos céus
Ele pede com fervor uma chuva
Com a fé em Deus
Ele vai dizer que a chuva é benção
Mais somente se for medida certa
Nem mais
Nem menos
Nem seca
Nem enchente

Luís Antonio Padovani
Escrito na página 6/12/1986
Sol de arrebentar mamona expressão idiomática que quer dizer um dia muito quente


Sem machucar

I

Bravos homens
Bravas mulheres
Todos os nordestinos são fortes
Aguentar seis anos de seca e não arredar os pés
Por todas as suas esperanças em um único dia
O dia é dezenove de março

II

Se chover é esperança de chuva
Se não chover é mais um ano de seca
O dia é de São José
Que se chover neste dia
Poderia chover todos os anos
Sendo assim ano nenhum teria seca
Mas como a chuva não aconteceu
Aconteceu à seca
Uma outra alternativa é a irrigação
Feito pelos egípcios há séculos e séculos
A técnica tem
O que falta é vontade dos políticos.

Luís Antonio Padovani
Escrito na página 6/12/1986

O que tem que entender

Ô divino
Ô Deus
Fazer entender de uma vez por todas
Eu não tenho nenhum sentimento de asfalto
Não mesmo
Nem quero pensar em gostar
Pois não dá para gostar
Eu quero passar nem mais um minuto em Moji Mirim
Falo, faço
Falo, faço
Falo, faço
Falo, faço
Falo, faço
Falo, faço
Falo, faço
Eu não gosto de falar
Eu não de fazer
Eu quero mostrar
Já que não entende que dois bicudos não se beijam
Há pessoas usam as pessoas como se fossem armas
Eu não quero nem ver Moji Mirim
Eu quero passar longe de Moji Mirim
Eu quero mais é esquecer
Falo, faço
Falo, faço
Falo, faço
È verdade que eu não gosto de bis
É difícil eu me entender os meus pais que são mais idosos
De Moji Mirim eu não gosto
Perder os meus pais é complicado para mim
O infarto é a consequências

Luís Antonio Padovani
Escrito na página 6/12/1986
19838/1984
Dois bicudos não se entendem  expressão idiomática criada por mim que quer dizer duas pessoas que tem ideologias diferentes não se entendem

terça-feira, 16 de outubro de 2012

A vida das três pessoas

Amor de um padre
Amor de uma rapariga
Amor de um escrevente
É o triângulo amoroso
É o amor do padre Amaro
É o amor de Amelinha
É o amor dos dois
È a Amelinha sendo amada por João Eduardo
Que mais tarde é excomungado
Cai na miséria
Vai a Lisboa
Vem para o Brasil
Padre Amaro é o pai
Engravida a Amelinha
E passa as férias em Viera uma praia
Amelinha
Amelinha espera um nenê do pároco
Vai a um lugar solitária com uma doente
É assim que é o Crime do Padre Amaro.


Luís Antonio Padovani
Escrito na página 6/12/1986

O que fazer

Quando uma mulher que diz a um homem que o ama
Bem, isso pode ser algo para ser desconfiado.
Pode ser que ela queira fazer uma comédia
Pode ser quem sabe que ela queira se divertir
Na verdade ela que fazer um homem de tolo
Pode ser que seja verdade
Pode ser que não
É por essa e por outras é que não se pode confiar em mulheres
É por essa e por outras que o homem deve sair com mulheres e deixa-las que ela lembra do seu aniversario
É por essas e outras que um homem tem que cuidado
É por essas e outras que um homem deve olhar sempre nos olhos das pessoas
Porque olhos?
Porque dizem que nos olhos brilham o que se diz dentro de si
Os olhos são as luzes da verdade e da mentira.

Luís Antonio Padovani
Escrito na página 6/12/1986