segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Ser sensível

I

 Uma mulher tem que sensível
Tem que ter iniciativa
Uma mulher que não tem iniciativa eu não namora
Porque uma mulher sem iniciativa não serve para nada
É uma mulher sem sensibilidade não dá
Uma mulher tem que ter atitude
Uma mulher sem atitude na hora que eu precisar dela ela não me socorre
Em um momento que eu esteja imobilizado eu preciso de alguém que tome a frente
Se não for assim nada feito
Uma mulher não pode ser um enfeite em minha frente
Olhar para mim feito uma múmia
Sinceridade eu não vou tolerar

II

Eu sou um poeta
Eu sei que é sensibilidade
Ela faz parte do poeta
No meu pensamento a sensibilidade é que faz a diferença entre um ser normal e o poeta
Sensibilidade para mim é um sentimento normal
A sensibilidade é o que faz a diferença do ser dito que pensa e do ser dito irracional
A sensibilidade faz parte do senso, do raciocino.
A sensibilidade vem do senso, da razão.

Luís Antonio Padovani
Escrito na página 2/12/1986

O que é andarilho

Andarilho
Gente sem rumo
Gente sem direção
Gente sem lugar fixo
Gente sem casa e sem teto
Gente que anda por ai
Para ele qualquer lugar está bom
Andarilho
Não é preso aos conceitos sociais
Não fixar raízes
Gente que toma sol e chuva porque não tem abrigo certo
Gente sem um rumo certo
Gente como a gente
Andarilho
O que é andarilho?
Gente sem rota
Um andarilho vez o relógio de sol da igreja matriz São José de Moji Mirim

Luís Antonio Padovani
escrito na página 2/12/1986

Os alcoolatras

Os alcoólatras não gostam de beberem sozinhos
Eles querem sempre uma companhia
Então eles chamam sempre o primeiro que passa no passeio
Vem tomar um golinho
A recusa é uma ofensa
Os alcoólatras existem em qualquer cidade
Em qualquer esquina
Mesmo porque todas as esquinas têm um bar
Espera de o primeiro freguês entrar
Dar uma alegria ao dono do bar
Ele esquece que tem família
Ele é um problema social
Ele é um eterno dependente do vicio
Ele está sempre alto
Ele atormenta quem está quieto
Ele faz fiasco
Ele é gente
Ele não consegue ver o seu limite
O cheiro dele é inconfundível

Luís Antonio Padovani
Escrito na página 2/12/1986

domingo, 16 de setembro de 2012

Uma coisa muito profunda

A Minha permanência em Moji Mirim me afunda
Hoje eu poderia estar em Pirajuí
Procurar alguém que me dê uma luz
Os dias são turvos
São muito tristes
Eu não tenho ambiente nenhum
Não é porque eu não quero
É porque não me deixam
Moji Mirim nada representa para mim
Hoje eu poderia estar a andar de bicicleta
Poderia estar no Parque Clube de Pirajuí
Pular em um trampulinho
Dar umas abraçadas na piscina
Eu teria problemas para dormir
Hoje eu poderia estar na Terra em que eu escolho para viver
Não importa o que ela tem
O que eu quero e ser feliz
Aqui em não
Eu não suporto as criancices dos adultos
Eu sempre amarei Pirajuí

Luís Antonio Padovani
Escrito na página 2/12/1986

Vida de carnaval

Pular, pular, pular.
Sem escutar o que toca no baile
O barulho é ensurdecedor
Tudo o que faz é cansar
Tudo o que sofre são os pisões
O que anima o povo são os concursos de fantasia
Mas é uma ilusão
Uma alegria
Uma bebedeira que não tem tamanho
Carnaval eu não sei por que eu vou
Eu não me sinto nenhuma vontade
Tudo que eu vejo é a mesma coisa
Pessoas a pular
Sem nenhum objetivo concreto
Eu poderia ficar sem ir para a festa
E ter um sono dos anjos
A vida do carnaval só faz canseira.

Luís Antonio Padovani
Escrito na página 2/12//1986

Pequenas coisas

Às vezes as pequenas coisas se tornam grandes
A soma das pequenas é que fazem à diferença
É um dito que eu tenho que as pessoas em Moji Mirim não querem entender
Os mojimirianos não aceitam os convulsivos
Imaginam que são loucos
Que são oportunistas
Em Moji Mirim as qualidades não são ressaltadas e sim os defeitos
E não é o que penso
Eu penso em explorar as qualidades e não os defeitos
Com as qualidades eu posso ganhar muito
Os defeitos não me interessam nenhum pouco
Os mojimirianos não querem saber de epilépticos
Eles saem de perto
Os mojimirianos gostam de prejudicar os outros.

Luís Antonio Padovani
Escrito na página 2/12/1986

Filme descartável

Vamos ao cinema
Que filme vai passar
Vai passar a volta dos que não foram
Vamos ao cinema
Que filme vai passar
As traças do careca
Vamos nos livrar daquele chato
Vamos falar para ele procurar a sua turma
Vamos falar para ele que te meteu
Que te meteu
E o que aconteceu
Isto tudo faz parte de uma hipocrisia
Que vamos sempre alguma ironia
Vamos ao cinema assistir poeira em alto mar e deu risadas
Vamos falar que a censura é livre
O filme é todos
É o filme dos idiotas
É o filme mais divertido de todos os tempos
Vamos ao cinema vai valer a pena
Vamos logo que este filme não pode ser perdido
Este filme vai concorrer ao tio Oscar
Este filme vai concorre ao Leão de Ouro em Veneza
Este filme vai concorrer ao festival de Cannes, França.
Este filme vai concorrer ao Urso de Ouro em Berlim, Alemanha.
Somente não vai concorrer ao kikito de ouro em Gramado, Rio Grande do Sul, Brasil porque é somente para filmes brasileiros
Este filme vai ser imperdível
Este filme não vai ter reprise
Este filme é um filme histórico
Que te meteu
Este filme vai passar logo em seguida
Estes filmes estão no cinema
Que te meteu
Pergunta ao idiota

Luís Antonio Padovani
Escrito na página 2/12/11986