sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Recompensa

Quem você pensa quem você é?
Ou melhor, você pensa?
Creio que não
Pois eu penso que você tem cabeça de ameba
Então por isso eu te digo
Eu jamais gostei de você
Eu não gosto
E jamais irei gostar
Porque eu vou gostar de você?
Você sempre me mal tratou
Sempre me magoou
Sempre me machucou
Quer sempre tirar o que eu tenho
Eu jamais gostei
Eu não gosto
Eu jamais gostarei
Gostar por quê?
Nunca me deu nada
Nunca me ofereceu
Não me deixa fazer nada
Quer que eu fique a toa
Nunca me ajudou
Nunca me ajudará
Não me ajuda
Todas as ajudas que peço são negadas
Eu gostar por quê?
Dê-me um motivo.
Um somente mente
Ai eu poderia rever essa minha atitude.

Luís Antonio Padovani
Escrito na página 16/10/1987

O uso

Eu uso de todos os movimentos literários
Eu uso mesmo
Eu não penso duas vezes
Eu não penso meia vez
Porque não é porque um movimento acabou que ele não ele não pode ser usado
Barraco, clássico, moderno, romântico, lírico e outros.
Todos esses movimentos são recursos
Que eu uso para mostrar o meu sentimento
Eu sou independente
Eu não tenho rabo preso com ninguém
Os movimentos literários são para serem usados
Então eu uso mesmo
Faço dos outros movimentos um movimento novo
Aliás, eu não me preocupo com qual movimento eu pertenço.
Essa preocupação eu deixo como os professores de português.

Luís Antonio Padovani
Escrito na página de 16/10/1987

Sapiência


Ele não sabe o que acontece
Ele não sabe o que isso representa
Ele não sabe o que isso quer dizer
Ele não sabe absolutamente nada
Ele não sabe
Ele finge não entender
Ele não compreende nada
Ele é mesmo assim
Ele não sabe nada
Ele não sabe o que isso representa
Ele sabe nada
Ele não sabe o que quer dizer
Compreende porque ele é assim mesmo
A repetição é uma forma de a mentira virar verdade
Ele vai ser visto na página policial
Ele não vai ser alguém.

Luís Antonio Padovani
Escrito na página 16/10/1987

Eco

Vai para cucuia
É assim que é a vida
Eu crio e os outros copiam
Ou que poderia dizer nada cria tudo se copia
Copiar o velho guerreiro
Um comunicar e tanto
Vai para cucuria é criação minha
Quando eu fiz não tinha a menor ideia do que se tornaria
Principalmente vê-la impressa no jornal FOLHA S. PAULO
E lembrar que eu falei pela primeira eu era satirizado
Em hoje eu sou copiado
O mundo é engraçado
O mundo é uma bola
O mundo é redondo

E o que eu falo agora é vá para cucuia

Luis Antonio Padovani
Escrito na página 10/12/1987

Em uma roda de samba

Em uma noite no bar do Chiquinho
Eu tive um estranho comportamento
Eu senti muita vontade de tê-la
Quando eu tive a sensação de que você olhou para mim
Eu senti uma vontade de beijá-la
De tê-la em meus braços
Eu quis em possuí-la
Eu senti uma vontade muito grande de ficar a sós com você
Senti um arrepio muito grande
Eu não encontro explicações para isso
Comecei a suar muito
Mas eu me controlei
E eu continuei sentado perto de você
Pois eu tenho medo de que a sua resposta fosse estúpida
Porque é esse modo que me tratam
E seu nome eu não revelo porque eu sei que não quer  ele seja revelado


Luís Antonio Padovani
Escrito na página 10/12/1987

Mundo virado

Aqui volta tudo de novo
Permanece como era antes
Nada mudou
Tudo ficou do mesmo tamanho
Todas as ideias são de seus avós
Tudo absolutamente tudo
Nada é questionado
Tudo é aceito naturalmente
As seleções são exatamente como outros tempos
Nada mudou
Os jeitos das pessoas são os mesmo
Nada mudou
O mundo muda
O mundo fica igual
As pessoas não mudam
Luís Antonio Padovani
Escrito na página 10/12/1987

Alívio para dias

Uma semana fora daqui
Uma semana em Pirajuí
É um alívio para o meu cérebro
Eu fico todo delicioso
São dias que da a impressão de um mês
É só não ver mojimiriano é repouso
Principalmente não ouvir
Isso é o mais importante
Uma semana que poderia durar a vida toda
Mas infelizmente eu não sou ouvido
E então eu vou ter que ficar em Moji Mirim mesmo

Luís Antonio Padovani
Escrito na página 10/12/1987