Ditadura
Dita
É dura
Politicamente acabou
A minha não
Democracia começou politicamente
Demoníada a minha vida
A minha nunca começou
Tenho que morrer por aqui mesmo
somente porque eu nasci por essas bandas
Todos querem mandar em minha vida
Julgam-se no direito de interferir
negativamente em mim
Não querem que eu tenha namorada
Não deixam ter uma vida social
“normal”
Ninguém quer me deixar em paz
Atormentado, eu sou.
Paz nunca tive.
Liberdade de escolha e de expressão
nunca tive.
Gritei, gritei, gritei
Esperneei, esperneei, esperneei
Ninguém me ouviu
Por todos os cantos me chamam de
otário
Vira e mexe dizem que sou professor
Querem enganar a quem?
A mim que não
Na mesa de bar que eu me dirijo
levantam para não me ter como companhia
Querem que eu faça aquilo que eu sou
limitado a fazer
Falam que deus dar asas para quem não
sabe voar, mas nunca me deram oportunidade.
Em virtude de tudo isso o meu maior
desejo é dar no pé
Ser feliz é tudo que eu quero
Ficar longe desse inferninho é o que
eu quero
Quanto mais longe melhor
Quero traçar o meu destino
Caminhas com as minhas próprias
pernas
Pensam em tirar tudo o que eu tenho
dar algo jamais
Deixar de ouvir bobagens afinal de
contas o meu ouvido não é pinico para ouvir bosta
Quando alguém de fato quer me ajudar
eu duvido
Falaram em apresentar alguém que
trabalha na tv cultura
A principio pensei ser mentira
A vida é um jogo
Ora se blefa, ora fala a verdade.
Eu vou jogar
Eu vou viver
Sou diferente, apenas isso.
Não posso fazer o que os “normais”
fazem
O culpado é o médico que fez o meu
parto
Até quando vou pagar pelo erro dos
outros
Peço ajuda e o meu pedido não é
atendido
Mais e mais pessoas me atrapalham
Querem tirar tudo o que eu tenho, dar
ninguém quer me da
A minha vida é pautada em mentiras
Inventam uma biografia para mim
Sou fruto do imaginário popular
O meu lar é uma construção
O povo inventa uma personalidade para
mim
Nega o tempo todo os meus feitos
Luís Antonio Padovani
13/02/2021