sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Às vezes tem quer se o que não é

Sou um homem de ideias livres
Eu não dou nenhuma importância a mexi ricos
No entanto eu sei ser ditador
Eu sei ser sem educação
É somente na hora que convier
Eu não gosto que os outros abusam dos outros
Eu sou um ser de ideias livres
Porém a vida mostra
Mostra que temos que ser fortes
Mostra que as ideias às vezes têm que ser deixadas de lado
Mostra como tem que ser a convivência quando se convive com alguém que não se gosta
A convivência é tensa
E tem que tolerar
Dizer as verdades mais ingratas
Não deixar passar nada
Ser corajoso
Meter o peito
Encher os pulmões
Inflamar os corações
Ficar sério
Temos também olhar para frente
Mostra que algo fica
Bom ou mal
Nas saudades de nossa mente
Mas temos que superar.

Luís Antonio Padovani
Escrito na página 4/12/1986
1983

Ligação


Alô, alô
É do telefone em Moji Mirim
É a minha mãe que quer falar comigo em Pirajuí
O assunto dela é perguntar a minha opinião do conjunto Kiss
Um espetáculo dado no Morumbi
De uma excursão de Birigui
Que a turma de Pirajuí pegou carona
Bem eu respondi
Foi aquilo
E ela respondeu aquilo o que?
Eu respondi aquilo que eu poderia esperar
Eu já sabia
E ela perguntou como é o Kiss
Eu respondi aquilo
E ela respondeu aquilo o que?
Eu respondi sem definição
O Kiss não se pode esperar
Um tipo de música que não tem nada haver comigo
Mas eu fui no embalo da turminha
E vê e o eu mudasse de opinião

Luis Antonio Padovani
Escrito na página 4/12/1986
1983

Bem visto para não esquecer

Quando alguém vem em Pirajuí
Eu logo trato bem
Quando alguém se põe a visitar Pirajuí
É tratado com muito mimo
Todos os cidadãos dão a maior atenção
Não há nenhuma discriminação
É trato como se fosse de casa
É tudo feito com toda cordialidade
As conversas são múltiplas
Quando alguém passa as ruas de Pirajuí é trato com muito dengo
Pois ninguém quer ser mal falado
E todos desta cidade querem que fique uma boa impressão para que volte
Que a boa impressão prevaleça sempre
Para que em nenhum momento seja mal visto
E tão pouco mal falado
Depois da primeira impressão vem sempre a segunda, a terceira e assim por diante.
E a ultima impressão desfaz penúltima.

Luís Antonio Padovani
Escrito na página 4/12/1986
1983/1984
1983

Ao nascer

Nasceu Guilherme, meu sobrinho.
Um tio e uma tia foram criados
Eu e a Renata Maria
Um tio para começar
E uma tia para continuar
O tio já falou para todos
Ele não omite a sua alegria
Ele diz: sou quem quero transmitir
Ele corta a informação quando alguém quer falar em sua frente
Quer sempre que alguém o ouça
Que todos os Guilhermes de Pirajuí e de Moji Mirim
Os seus tios vão recolher com muito amor
Meu sobrinho eu não te conheço
Mas eu vou te ver
Eu vou te ver sim
Afinal eu estou aqui para lhe dar atenção
Você não será um filho
Um filho que se sentirá o último
Você veio ao mundo
Com o mundo em movimento
Pois o mundo não pode parar
O mundo sempre é pego com o bonde andando
Você compreenderá o que eu digo
Um mundo que você vai fazer andar

Luís Antonio Padovani
Escrito na página4/12/1986
1983/1984
Setembro de 1983

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Ficar no meu canto

Eu gosto de ficar no meu canto
Eu gosto de pensar
Pensar na morte da bezerra
E em meus pensamentos eu sempre penso
O que pensam quem eu sou
A sociedade de Moji Mirim quer mandar em mim
Não respeitam a minha vontade
Querem colocar tudo guela a baixo
Nem da minha família é
Ainda bem que não tenho familiares em Moji Mirim
Seria o fim da picada
Durante a manha eu fico eu casa
E assim a cidade de Moji Mirim não me verá
Quem ela pensa quem é afinal
Olha, olha não pode acontecer.
Somente algumas pessoas
O que pensam que eu sou
Eu não vou admitir uma intromissão dessas
Mas quem manda na minha vida sou eu.

Luís Antonio Padovani
4/12/1986
1983

Quem é que faz os primeiros passos

Família é tudo
É tudo
É tudo
Família é tudo
Desde que ela elogia
A sociedade elogia
Haverá trabalho
Família é tudo
Tudo
É tudo
Não se passa sem criticar
A crítica dela é da sociedade
A família que muitas vezes não se sente
É ela que oferece condições de vida
Se a família entender
A sociedade entende também
Como muitas vezes há
Toda a sociedade casa
Não se vive sem criticar familiar
Que muitas vezes não são percebidas
Família
Quem um dia vive sem ela
Ainda não nasceu
A família às vezes é tormento
Muitas vezes é tranquilidade
A família tem que acreditar em seus entes
A sociedade acredita
Família é tudo
Mas não é só dar dinheiro
É dar condições sociais.

Luís Antonio Padovani
Escrito na página 4/12/1986
1983

Como é que é

I

As palavras de carinho que sempre eu ouvi
Vira-se que não é quadrado
Atim abacaxi abaixa aqui
Eu não vou te ajudar
Deixa comigo
Você quer ser chamado de bobo
Na verdade eu nunca senti apoio nenhuma de nenhum familiar
Quando eu ia ajuda
A ajuda era negada
É que a conta do banco está do mês com o dinheiro do salário
É sempre querem me empurrar para trabalhar em escolas

II

É assim que é a minha vida
Presentes no natal e ano novo
Tudo novo
E conversa antiga
Escola o tempo todo
É um assunto insuportável
Tento demonstrar, mas não vale nada.
Não querem me ouvir
Não olham para o seu redor
Não reparam a minha fisionomia de descontentamento
As minhas tias professoras não reparam que não ligo nenhum pouco para o que dizem
Parece uma falta de espontaneidade
Um falta de assunto inacreditável
Por mais que tente dizer não me dão ouvidos
Qualquer atitude que eu tome para mostrar o desagrado nunca adiantou
Nunca
Nunca me deram apoio para as minhas atitudes
Sempre pedi para mudar de assunto
Mas qual é o que
O assunto aula sempre torna a tona

Luís Antonio Padovani
Escrito na página 4/12/11986