terça-feira, 2 de outubro de 2012

Olhe em tua volta

Olhar em minha volta
Olhar para o meu umbigo
Eu não vejo perspectiva nenhuma para mim
Moji Mirim sempre subjuga
E diz para mim coitado não sabe o que faz
Um povo se eu puder eu piso
Um povo que é Macunaíma na vida
Sempre alheio a conquistas que eu tenho
Tudo o que falam soa falso
Um povo que eu não nenhuma pitada de sal
Um povo que diz que é povo e que é Deus
Então uma coisa eu digo
Moji Mirim fica com a sua crença
Que eu fico com a minha
E pronto.
Eu dou por encerrado
Ponto.

Luís Antonio Padovani
Escrito na página 28/11/1986

Fazer o que

Eu não posso fazer nada
As pessoas não permitem
Elas que eu viva em Moji Mirim
É para mim uma cidade horror
Por onde eu ando tem assombração
Tem sempre uma sombra que me segue para atormentar
Caçoar o que digo
Mas logo em seguida repeti
E quando eu digo que foi quem o fez
As pessoas dizem que eu sou mentiroso
Vá entender uma coisa dessas
Eles querem que eu fique só pode ser.
Porque eu convívio com pessoas que eu não sinto a vontade
Recordo de tudo o que fizeram
Eu quero mais escapar daqui
Não tem outro remédio
Para que eu fique feliz eu tenho que mudar de Moji Mirim
Eu dependo do dinheiro para tudo
Eu não tenho dinheiro
Então eu fico acorrentado aqui
Fugir é ideia que sempre eu tenho
Mas o ataque epilético m e impede
Se ficar sem o fenobarbital e tiver o desmaio quem vai me socorrer
É o que sempre penso
Essa é a minha infelicidade
É morar nessa cidade.

Luís Antonio Padovani
28/11/1986

Humor

Moji Mirim
Uma cidade de péssimo humor
Tem a coragem de se intitular cidade simpatia
Onde eu não sei
Simpático sou eu
Um título indevido
Por ser uma cidade antipática
Sem nenhuma graça
Eu não quero viver nela
Moji Mirim é uma piada pronta
É sem graça de uma vez
Para mim é fato consumado
Eu não quero ser amado por elas
Tolerar a sua presença é um sacrifício
Para mim já morreram
Eu não tenha a menor duvida
Morreram e esqueceram de deitar
.
Luís Antonio Padovani
Escrito na página  28/11/1986

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Outro lado

Tudo nesta vida tem um outro lado
O amor não correspondido
É o amor dolorido
O amor platônico não tem nenhuma graça
Amar sozinho é muito
Não ter com quem dividir um beijo
Uma caricia com as mãos
O amor não correspondido
Ele dói no peito
É uma angustia
Angustia de tal ordem que só quem sabe é quem passou
É tristeza do Jeca
O amor não correspondido é o amor que dá uma dor no peito
É uma dor muito forte
É uma dor que somente um outro amor resolve.


Luís Antonio Padovani
Escrito na página 28/11/1986

Perde-las

Onde estão as minhas correspondências
Eu as escrevi e eu quero mandá-las ainda hoje
Onde estão as minhas correspondências
Elas foram extraviadas
Elas foram lidas que é mais provável
Elas foram jogadas fora no lixo
Elas foram escondidas para que eu fique nervoso
Onde estão as minhas correspondências
Onde elas estão
Eu preciso mandá-las
Eu preciso me vingar
Onde estão as minhas correspondências
Algumas mãos leves as levaram ou as escondeu
Onde estão as minhas correspondências
Eu quero mandá-las para o seu destino.

Luís Antonio Padovani
Escrito na página 28/11/1986



Parecia iluminado

I

Rogai por nós pecadores
Olhai por mim
Nota que eu sou desamparado
Que eu tenho uma família de fachada
Ô meu fazei que eu saia de Moji Mirim
Eu sei que tu existes
Mas eu pergunto por que eu continuo nesta de néscio
Eu não mereço isso
Quando eu morrer eu vou direto para céu
O meu inferno eu passei em Moji Mirim
Onde eu espetado diariamente em uma chama
Aqui ninguém me chama para ser amigo
Mas me chama para pagar as contas
Por ser filho de um comerciante
Meu Deus faça com as minhas prestes sejam ouvidas
Esta cidade não vira
Meu Deus eu quero ficar livre
Parece que eu estou em senzala
Mojimiriano para mim da alergia
Eu quero mais é sossego
E para isso é necessário eu sai dessa coisa

II

Um pedido em especial é que me coloque eu lugar que não tenha universidade
Somente assim eu não vou correr o risco de encontrar mojimiriano
O meu paraíso é longe
Bem longe dessa gente provinciana
Meu Deus este povo não tem graça
Meu Deus dizer-me como suportar esta crise
Esta crise que há tempos eu falo
Treze anos não é fácil não.

Luís Antonio Padovani
Escrito na página 28/11/1986

Frieza

Como pode ser tão frio desse jeito
Tratam-me como uma brutalidade que dá até inveja ao Stalone
De uma maneira silvestre
Eu estou longe de Moji Mirim
Assim como Moji Mirim está longe de mim
Muito embora eu tenha que morar nesta cidade
Por mais que eu peça para os meus parentes darem emprego para mim
Eles querem que eu permaneça onde eu estou
Um povo que não quer saber de mim
Mas eu não quero saber deles
Porque eu quero saber
E eles não querem que eu aprenda
Eu quero ter propriedades para ter dinheiro
Eles não me dão chances para trabalhar
E assim fica difícil comprar algo
Eu não quero ficar em uma vida pacata
Eu quero agitação
Eu não quero ser explorado
Eu não quero ser amolado
Eu não quero ser molestado
Eu quero um emprego em uma multi
Para com o meu talento eu poder sair de vez dessa hipocrisia
Eu não sou o pacificador
Eu não sou Gandhi, o grande libertador que foi executado com um tiro.
Eu quero seguir em frente
Porque é para frente é que vai.

Luís Antonio Padovani
Escrito na página 28/11/1986