terça-feira, 1 de maio de 2012

Cheios de porquês

Por que sim
Por que não
Por que me dão problemas
Por que não me dão soluções
Porque só me pergunta por quê
Eu quero saber por quê
Venha logo com a solução
Se eu tenho um problema
Eu preciso resolvê-lo
Não me venha com novelo
Eu quero uma coisa desenrolada
Eu não quero assistir novela
A novela que eu vivo é enrolada de mais
Não me venha com mais porquês
Eu quero ter as respostas
Os porquês não resolvem os meus problemas
Para o meu dilema
Eu quero um leme
Que me leve a uma direção

Luís Antonio Padovani
2/12/1997


Em Pirajão

Lutar contra o concreto?
Não adianta!!!
É! É!
Pronto
Não adianta falar
Chega de falar que você é escritor!
Sou e pronto
Se já tenho livro escrito!
É um gozo!
É uma sátira
É inacreditável
Lutar contra o concreto!!!
Não adianta falar!
Eu não admito que você é escritor
Não é concreto!
Está pronto
Está na mão
Se for neurose?
O problema não é meu
Já que eu não sou psiquiatra
Eu não atuo no campo do que não é meu
Eu escrevo
Psiquiatra é outro ramo
Aos neuróticos!
Vão ao psiquiatra
Aceitam o fato concreto
Eu escrevo
O que o povo de Pirajão pensa...
Não altera os fatos
É concreto
A eles eu não dou a mínima importância
Eles dão azia até em bicarbonato
Da vontade de rir de tamanha imbecilidade.

Luís Antonio Padovani
3/12/1997
Pirajão neologismo criado por mim
Uma cidade imaginária

Como é que fica

Na bunda vai
Na bunda fica
Como é que fica
Na bunda vai
Na bunda fica
Como é que fica
Fui ao escritório
Passei um telegrama
Ficou sujo
Na bunda vai
Na bunda fica
Para limpar toda a sujeira
tive que buscar papel
Na bunda vai
Na bunda fica
E o mau cheiro
Como é que fica
Na bunda vai
Na bunda fica
Como é que fica

Luís Antonio Padovani
11/12/1997

Sem qualquer expectativa

Coração empedrecido
Fica insensível a emoções
Só fala em cálculos
Pensa friamente
Arruma mil e uma desculpas
Às vezes parece ser um arquiteto
Faz projetos
Elabora construções
Coração duro
Dentro dele mora uma rocha
Erguida de ódio e desprezo
Que faz um coração ser preso
Onde só tem grades que não deixa o sentimento se soltar

Luís Antonio Padovani
17/12/1997
Mil e uma expressão idiomática que quer dizer varias coisas

Feliz natal a todos

I

Natal se dá uma magia
Todo mundo se contagia pela alegria
Pena que é somente no natal
Se a mente das pessoas fosse natalina o ano todo seria muito bom
Tudo seria bom

II

Eu imagino se o pó do pilimpimpim grudasse nas pessoas para ter sempre o espírito cristal
Todos nós seriamos irmãos
A fraternidade seria universal
Não haveria contenda
O mundo seria o mar de rosas sem espinhos
Haveria somente alegria na mente das pessoas
Todos iriam ajudar um ao outro sem nenhuma cobrança posterior
Ajudaria somente pelo prazer de ajudar.

Luís Antonio Padovani
24/12/1997
Pilimpimpim uma referência as histórias de Monteiro Lobato escritor brasileiro conhecido pelas histórias infantis
Mar de rosas expressão idiomática que quer dizer maravilha, lindo, sem problemas

E agora aquenta

Lá vem o inconveniente
Para ver o que que há
Sem ser chamado
Ele não convém ser ouvido
Lá vem o inconviniente
Para ver o que que há
Sem ser chamado
Ele não não convém ser ouvido
Ele pensa que abafa
Mas ele abafa somente no calor
Não me diz nada
Quando eu vejo da vontade de dar no pinote
Ir a um outro norte
O seu problema é que pensa que me agrada

Luís Antonio Padovani
29/1/1998

Do que vale

Falar com a parede
Falar com a parede
Não adianta nada
Não se obtém nenhuma resposta
Uma coisas irritante
Uma coisa desesperadora
Uma tarefa ingrata
Só um lado é ouvido
Não se tem dialogo
Uma conversa inútil
Falar com a parede
Falar com a parede
Uma sensação que me aflige infinitamente
É a mesma coisa que não tivesse falado
Que horror é
Falar com a parede
Falar com a parede
Ninguém escuta o que eu falo
A desconversa é frequente
Quando eu falo é a mesma coaisa que nada

Luís Antonio Padovani
10/2/1998